Mais de 380 empresários, executivos e representantes da sociedade civil assinaram uma carta dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Flávio Bolsonaro com propostas para a economia e outras áreas estratégicas do país. O movimento, conhecido como Grupo Parlatório, tem coordenação técnica do economista Roberto Giannetti da Fonseca e exige que os dois assumam compromissos com um pacote de medidas que envolve ajuste fiscal, queda dos juros, reformas administrativa e tributária e alterações na política de defesa comercial.
Metas econômicas
O objetivo central do documento é levar a taxa básica de juros (Selic) a 7,5% ao ano e a inflação a 3% até dezembro de 2027. Para chegar a esses patamares, os signatários defendem que o governo alcance superávit primário de pelo menos 1% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027. O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.
Segundo a avaliação do grupo, o reequilíbrio das contas públicas ajudaria a recuperar a confiança na política fiscal, aliviar a pressão sobre a inflação e permitir que o Tesouro Nacional se financie a custos menores. Com juros mais baixos, o crédito ficaria mais acessível para famílias e empresas, estimulando consumo e investimentos. A carta sustenta que a redução da Selic depende de medidas capazes de tornar a trajetória das contas públicas mais sustentável.
Outra meta é reduzir a relação entre a dívida bruta do governo e o PIB para menos de 70% até dezembro de 2030, o que representa queda de quase 13 pontos percentuais em relação ao patamar atual. Entre os caminhos apontados estão a atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal, a revisão de mecanismos de correção automática de despesas obrigatórias, a revisão da vinculação de benefícios ao salário mínimo e o combate aos supersalários no serviço público.
O grupo também vincula o ajuste fiscal a um crescimento mais consistente da atividade econômica. A carta projeta expansão real média de pelo menos 3% ao ano entre 2027 e 2030, período em que a taxa de investimento deverá superar 20% do PIB.
Reforma tributária e máquina pública
Na agenda tributária, os signatários pedem acelerar a implementação da reforma dos impostos sobre o consumo, reduzir exceções e regimes especiais e impedir que a definição das alíquotas dos novos tributos eleve a carga tributária. A atenção recai sobre o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), criados pela reforma. O documento estima que a carga tributária brasileira esteja em torno de 34% do PIB.
A reforma administrativa também faz parte do pacote. As sugestões incluem avaliação de desempenho dos servidores, redução do número de ministérios, autarquias e empresas estatais e ampliação dos serviços públicos digitais.
Na área de produção, emprego e produtividade, a carta propõe um plano nacional para elevar a eficiência da economia nos primeiros cem dias do próximo mandato. Entre as iniciativas citadas estão o fortalecimento da produção doméstica de fertilizantes e a preparação dos trabalhadores para as transformações trazidas pela inteligência artificial. O documento defende ainda mais investimentos públicos em creches, alfabetização, educação profissionalizante e pesquisa científica.
Comércio exterior, segurança e meio ambiente
No comércio exterior, o grupo pede que as negociações sobre o contencioso com os Estados Unidos comecem em janeiro. Quanto à China, a recomendação é adotar postura firme na defesa comercial brasileira.
Em defesa e soberania, a carta sugere elevar os gastos militares a 2% do PIB e ampliar a vigilância das fronteiras com o uso de drones. Para enfrentar o crime organizado, o documento propõe integrar as atividades da Polícia Federal, da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e instalar câmeras corporais nas forças federais. Os signatários também defendem manter a proibição do porte de armas como regra. Entre as propostas sociais estão preservar os benefícios assistenciais e criar oportunidades de inserção.