O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) abriu investigação para apurar se o apresentador Luciano Huck e a Globo infringiram a lei eleitoral. A apuração decorre da divulgação da plataforma TemMeuVoto feita pelo comunicador durante o Domingão com Huck, exibido no último domingo (27).

A investigação foi iniciada após a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acionar a Procuradoria-Geral Eleitoral. Na denúncia, a parlamentar afirma que diversos eleitores relataram irregularidades ligadas ao endereço divulgado por Huck no programa.

Questionamentos à plataforma

Criado por 14 organizações — entre elas a RenovaBR e a Transparência Internacional Brasil —, o site indica candidatos alinhados ao pensamento do eleitor a partir das respostas a um questionário. Ao divulgar a ferramenta, Huck declarou no ar: “Eu queria falar sobre uma plataforma, que é gratuita e apartidária, que dá um match entre eleitor e candidato, que se chama TemMeuVoto. O eleitor responde oito perguntas e o sistema calcula o percentual de alinhamento”.

Segundo a denúncia, eleitores nas redes sociais reclamaram que a plataforma só apontaria afinidade com candidatos de direita ou de extrema direita — inclusive quando as respostas dadas ao sistema são majoritariamente progressistas.

Em outro pedido, o vereador Nabil Bonduki (PT-SP), candidato a deputado federal, solicitou que a plataforma saia do ar. Ele acusa a Globo e Huck de terem feito publicidade eleitoral em programa de televisão, prática não permitida. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) analisa a solicitação.

“Estamos a poucos dias da eleição. Uma ferramenta com potencial para influenciar a escolha de milhares de pessoas precisa ter transparência, critérios verificáveis e tratamento isonômico entre todas as candidaturas”, afirmou Bonduki.

O que dizem os envolvidos

Procurados nesta terça-feira (29), por e-mail e telefone, Huck e a Globo deram respostas distintas: o apresentador não retornou o contato, enquanto a emissora informou que não foi notificada. A plataforma TemMeuVoto, por sua vez, afirma ser apartidária.

Em nota, o TemMeuVoto declarou que “não recomenda voto nem favorece partidos: permite ao eleitor comparar suas posições com as das candidaturas, com metodologia pública, disponível para consulta, e critérios iguais para todos”.

Segundo o texto, a metodologia compara posições sobre oito temas, considerando as prioridades indicadas pelo próprio eleitor. Quando uma candidatura responde ao questionário, a resposta prevalece sobre qualquer estimativa baseada em registros parlamentares. “O resultado expressa afinidade nos temas consultados, não uma recomendação de voto. Cabe ao eleitor considerar essas informações junto a outros critérios que julgue relevantes para sua decisão”, informou a plataforma.

A ferramenta reforçou que seu compromisso é “ampliar o acesso à informação e fortalecer a autonomia e o senso crítico do eleitor, a quem cabe decidir, de forma livre e consciente, em quem votar”.