Calçados comercializados pelas plataformas Shein e Temu apresentaram falhas de segurança em investigação que submeteu os produtos a testes técnicos e químicos. Os resultados apontaram irregularidades químicas em 36% dos pares analisados e problemas técnicos em 80% dos calçados de segurança avaliados.

O que os testes revelaram

A investigação analisou amostras de calçados vendidos nas duas plataformas e identificou dois tipos de problemas distintos. O primeiro diz respeito à composição química dos produtos: 36% dos pares examinados apresentaram irregularidades nesse aspecto. O segundo envolve o desempenho técnico: entre os calçados de segurança testados, 80% exibiram algum tipo de falha.

Irregularidades químicas

As irregularidades químicas detectadas correspondem a mais de um terço do total de pares analisados. Esse tipo de achado indica que componentes dos calçados podem apresentar características fora dos parâmetros esperados para produtos desse gênero, o que chama atenção por se tratar de itens que permanecem em contato prolongado com a pele dos usuários durante o uso cotidiano.

Por se tratarem de produtos importados e vendidos por plataformas digitais, os calçados avaliados seguem um caminho diferente do varejo convencional. Nas duas empresas, o modelo predominante é o envio direto ao consumidor, sem a intermediação de revendedores estabelecidos no Brasil, o que dificulta o acompanhamento da qualidade dos itens ao longo da cadeia de venda.

Falhas em calçados de segurança

O índice mais expressivo da investigação envolveu os calçados de segurança. Oito em cada dez modelos testados — 80% do total — apresentaram problemas técnicos. Esses produtos são projetados para oferecer proteção aos pés de trabalhadores expostos a riscos no ambiente de trabalho, e eventuais falhas podem comprometer justamente a função que lhes é atribuída.

O percentual elevado de reprovação nesse grupo sugere que a questão não se limita a detalhes estéticos ou de acabamento, mas alcança o desempenho funcional dos produtos. Trata-se do principal alerta da investigação, já que envolve justamente itens cuja finalidade é proteger o usuário.

Alerta para o consumidor

Os números divulgados reacendem o debate sobre o controle de qualidade de produtos vendidos por marketplaces internacionais. Shein e Temu, de origem chinesa, se popularizaram no Brasil pela oferta de preços baixos e pela variedade de itens disponíveis, características que atraíram um público crescente nos últimos anos.

Para quem compra nesse formato, os resultados funcionam como indicador de que o valor acessível nem sempre vem acompanhado de verificação de padrões de segurança. Ao documentar falhas em parcela relevante das amostras, a investigação reforça a importância de atenção redobrada na hora de adquirir calçados — sobretudo aqueles destinados à proteção no trabalho — por meio dessas plataformas.