Robbie Williams transformou seu retorno aos palcos brasileiros em um pedido público. No show desta terça-feira, 13, no Nubank Parque, em São Paulo — primeiro no país em vinte anos —, o cantor cobrou um convite para o Rock in Rio. “Nunca fui convidado para cantar no Rock in Rio. Vocês conseguem imaginar? O maior intérprete de todos os tempos, e nunca me convidaram”, provocou à plateia.

Entrada de astro

O britânico subiu ao palco às 21h vestindo um conjunto esportivo vermelho, jaqueta cravejada e óculos escuros, com uma bandeira do Brasil estampada com o próprio rosto presa à cintura. A abertura ficou por conta de Let Me Entertain You, emendada em Rocket e Rock DJ, seguida por sucessos como Strong e Supreme.

O humor marcou a noite. “Eu não deveria contar isso, mas acabei de ver um fã com quem dormi da última vez que estive aqui”, brincou. “Quase não o reconheci, porque agora ele tem barba. Bom te ver, Pedro. Esses olhos são inesquecíveis.” Mais adiante, voltou a piada para a própria idade: “Da última vez que vim aqui, eu tinha cabelo e um pênis que funcionava.”

Turnê do novo álbum

A única apresentação anterior de Williams no Brasil havia sido em 2006, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro. O retorno integra a turnê do álbum Britpop, lançado em janeiro e estreia em primeiro lugar no Reino Unido — a 16ª vez que o cantor lidera as paradas britânicas, recorde entre artistas solo.

Iniciada em maio de 2025, em Edimburgo, a excursão já reuniu 1,2 milhão de pessoas em 24 países, com datas esgotadas na Argentina, no Chile, no Peru, na Colômbia e no México.

Clássicos e homenagem a Tim Maia

Em cerca de duas horas de apresentação, o repertório trouxe apenas duas faixas do novo disco — Rocket e Pretty Face — e apostou nos hits que tornaram Robbie um dos maiores astros britânicos, como Better Man e Millennium. Houve espaço para a versão de Wonderwall, do Oasis, e para New York, New York e My Way, eternizadas por Frank Sinatra.

Na apresentação da banda, os músicos emendaram trechos de Take On Me, do a-ha, e Hey Jude, dos Beatles. A homenagem local coube aos instrumentos de sopro, que executaram Acende o Farol, de Tim Maia. O bis veio com Feel e terminou, como em todas as noites da turnê, com Angels.

Os telões exibiram cenas da cinebiografia Better Man, em que o cantor é retratado como um macaco, reflexo de sua relação com a fama. “É melhor que O Poderoso Chefão 1, 2 e 3 e A Lista de Schindler. Deveria ter ganhado nove Oscars”, brincou, como se repetisse comentários feitos pela plateia.

Entre uma canção e outra, Williams flertou com o público e arriscou palavras em português, reafirmando, aos 52 anos, o status de um dos nomes mais carismáticos do pop.