Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) anunciaram nesta terça-feira (13) movimentos simultâneos sobre bandeiras tradicionalmente associadas ao campo adversário. O senador mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 e afirmou que votará a favor da proposta no Senado, enquanto o presidente apresentou um pacote de benefícios para empreendedores sob a marca da “prosperidade”, território que a direita busca explorar nos últimos anos.
As duas iniciativas buscam reduzir os ganhos políticos do rival em temas de forte apelo eleitoral. Ao apoiar o fim da 6×1, Flávio tenta impedir que Lula explore sua resistência a uma medida popular entre trabalhadores. O petista, por sua vez, avança sobre os microempreendedores individuais (MEIs), público cortejado pelo bolsonarismo, com promessas de alívio financeiro e incentivo aos negócios.
Mudança de discurso
A posição contrasta com declarações recentes. No dia 6, Flávio havia acusado Lula de agir de forma oportunista ao destacar o tema no segundo turno da eleição para conquistar votos. A campanha do senador vinha sendo pressionada pelo presidente, que criticava seu silêncio sobre a votação. Até esta terça, o candidato do PL evitava se posicionar, enquanto o partido tentava adiar a apreciação para depois do pleito.
Flávio anunciou a decisão após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão em regime domiciliar. “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”, afirmou.
O senador, contudo, manteve ressalvas. Para ele, os custos da mudança deverão ser compensados pelo governo federal. Segundo o parlamentar, a redução da jornada pode exigir novas contratações, pressionar empresas e estimular a informalidade.
A proposta de emenda à Constituição está em discussão no Senado e pode ir a plenário nesta semana. O texto prevê jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas por semana e sem diminuição salarial, com transição em duas etapas. Flávio também defende alternativa apresentada pelo PL, com maior flexibilidade nos horários e remuneração proporcional às horas trabalhadas — modelo que permite corte salarial, ao contrário da proposta apoiada pelo governo.
O fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais bandeiras de Lula para ampliar sua votação entre trabalhadores e pressionar o adversário a se posicionar. Nesta terça, o presidente ironizou a mudança de Flávio e atribuiu o voto prometido à pressão da sociedade. “Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos direitos do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo”, disse.
Pacote para MEIs
No Palácio do Planalto, Lula anunciou o pacote Prospera MEI, que prevê o perdão de dívidas tributárias com a União e recursos para investimentos em pequenos negócios. A iniciativa deve beneficiar cerca de 3,6 milhões de microempreendedores individuais, que acumulam aproximadamente R$ 12,6 bilhões em débitos com o governo federal. “É simplesmente limpar o nome de vocês”, disse o presidente.
O pacote inclui ainda a promessa de criar o PixMEI, com depósitos de até R$ 5.000 a fundo perdido para financiar a compra de equipamentos e melhorias em pequenos negócios. O governo estima alcançar cerca de 1 milhão de pessoas, com impacto de R$ 5 bilhões nas contas públicas.
O discurso da prosperidade sinaliza a intenção do petista de disputar votos com Flávio sob essa bandeira. Na sexta-feira (9), o senador havia anunciado a proposta de criar um Ministério da Prosperidade, que reuniria programas sociais como Bolsa Família e BPC (Benefício de Prestação Continuada), além de áreas como qualificação profissional e microcrédito.
A direita tenta se associar à ideia de mobilidade social por meio do empreendedorismo. Lula, por sua vez, busca mostrar que o governo pode oferecer apoio direto aos pequenos negócios, com alívio de dívidas e recursos para investimentos.
