As cédulas da primeira família do real, lançadas em 1994, estão sendo recolhidas de forma gradual pelo sistema bancário. A determinação do Banco Central, porém, não significa o fim do dinheiro em papel no Brasil: as notas autênticas continuam válidas e podem ser usadas normalmente no comércio, mesmo com a expansão do Pix.

O dinheiro em papel foi extinto?

Não. O dinheiro físico segue em circulação no país. A decisão trata apenas do destino das notas antigas depois que elas entram no sistema bancário, sem proibir o uso de cédulas nem estabelecer data para o fim dos pagamentos em espécie.

A medida atinge exemplares da primeira família do real, iniciada em 1994. A substituição por modelos mais recentes ajuda a renovar o numerário em circulação, enquanto as duas famílias ainda podem ser encontradas nas transações do dia a dia.

Quais notas estão sendo recolhidas?

A orientação alcança cédulas legítimas da primeira família, incluindo a nota comemorativa de R$ 10 feita em polímero. Como alguns valores passaram a ser emitidos depois de 1994, a aparência da nota é mais importante do que a sua idade para saber se ela pertence ao grupo recolhido.

O recolhimento não indica que todas as notas antigas sejam falsas ou estejam sem valor. A segunda família, introduzida em 2010, tem desenho e elementos de segurança diferentes e continua sendo distribuída normalmente pelos bancos.

Quatro pontos resumem a medida:

A primeira família reúne as notas de R$ 1, R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100. A cédula comemorativa de R$ 10 em plástico também está incluída na orientação. As cédulas autênticas mantêm o mesmo valor de face, sem prazo geral de troca para o público. Já as notas da segunda família seguem circulando normalmente.

Como funciona o recolhimento

A Instrução Normativa BCB nº 488, em vigor desde 10 de julho de 2024, determina que essas notas sejam encaminhadas à instituição custodiante quando recebidas em depósitos, pagamentos, trocas ou outras operações com numerário. A instituição reúne as cédulas e as remete ao Banco Central.

Trata-se de uma regra para a rede bancária, e não de uma obrigação para que o cidadão vá imediatamente a uma agência trocar o dinheiro guardado em casa.

O Pix eliminou a necessidade de cédulas?

O Pix ampliou as possibilidades de transferir dinheiro com rapidez, mas não substituiu o papel-moeda por lei. O recolhimento da primeira família e a expansão dos pagamentos instantâneos são movimentos distintos, embora ambos façam parte das transformações no uso do real.

Os pagamentos em espécie seguem úteis onde o acesso digital é limitado ou quando o consumidor prefere usá-los. A renovação das notas acontece pela circulação bancária, enquanto a escolha entre dinheiro e meios eletrônicos depende das condições de cada compra.

Três situações ilustram a convivência dos meios de pagamento:

Uma nota antiga na carteira, da primeira família do real, conserva seu valor de face e pode continuar sendo utilizada. Ao ser depositada em banco, ela entra no sistema financeiro e é encaminhada para recolhimento, com substituição gradual. Já o pagamento pelo Pix transfere o valor entre contas por canais digitais e convive com o dinheiro físico.

É preciso trocar as cédulas agora?

Não existe prazo geral exigindo que a população troque notas autênticas da primeira família. Quem recebe uma delas pode usá-la ou depositá-la normalmente. O banco fará o encaminhamento previsto na norma quando a cédula entrar em suas operações.

Para identificar uma nota, é preciso observar os elementos de segurança e o estado de conservação. Cédulas muito danificadas ou suspeitas de falsificação exigem avaliação específica na rede bancária, situação que não deve ser confundida com o recolhimento das notas antigas legítimas.

O que muda no dia a dia

A principal alteração é pouco perceptível na carteira: as notas antigas entregues aos bancos deixam de retornar normalmente à circulação. Para o consumidor, o valor do dinheiro não muda apenas porque uma cédula pertence à primeira família do real.

O avanço do Pix não criou proibição de pagamentos em espécie. O recolhimento é gradual, e as notas antigas legítimas mantêm seu valor.