Os candidatos ao Governo de Pernambuco Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) participaram na noite de terça-feira (29) de debate transmitido pela TV Globo. Apostas online, políticas para mulheres e segurança pública estiveram entre os principais pontos de confronto.
Bets dominam troca de acusações
Ainda no primeiro bloco, Moraes cobrou de Campos a decisão tomada quando prefeito do Recife de reduzir de 5% para 2% a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) para casas de apostas online. O ex-vereador provocou o rival ao perguntar como ele se explicaria com os parceiros que bancaram carnavais, São João e festas realizadas pela Prefeitura do Recife.
Campos negou ser aliado do setor. Segundo ele, após a regulamentação das bets pelo presidente Lula, os municípios precisaram ajustar suas legislações, e o Recife fez o movimento para garantir arrecadação.
O assunto voltou no bloco final, quando Lyra questionou Moraes. A governadora afirmou que as apostas nunca tiveram espaço em sua gestão e disse que o setor favorece a lavagem de dinheiro e cristaliza o crime organizado no Brasil. Ela anunciou que lançará o programa Acolhimento Digital, com o objetivo de aproximar psiquiatras e psicólogos de pessoas viciadas em jogos.
Políticas para mulheres geram confronto
Campos atacou Lyra no tema das políticas para mulheres. Ele prometeu duplicar o número de delegacias da mulher e retomou declaração da governadora em que sugeriu colocar uma gestante na fila do procedimento de laqueadura sem seu conhecimento.
Lyra rebateu afirmando que nunca defendeu violação aos direitos das mulheres e acusou o adversário de aparecer em vídeo dizendo “Faz sem ela saber” em uma ala pediátrica — postura que, segundo ela, envergonhou Pernambuco e chocou o Brasil.
A governadora disse já ter se desculpado pelo episódio e afirmou que o maior investimento em política para a mulher da história está acontecendo em seu governo.
Fundo eleitoral e segurança pública
Lyra também citou o caso do ex-prefeito de Sousa (PB), Fábio Tyrone, candidato a deputado federal na Paraíba que recebeu a maior verba do fundo eleitoral do PSB. Campos respondeu que ele será expulso da legenda.
Na segurança pública, Campos afirmou que existem regiões do estado dominadas por facções criminosas, citou o PCC e o Comando Vermelho e cobrou a construção de delegacias. Lyra disse estar combatendo as facções e batendo recordes no enfrentamento ao crime organizado, e acusou Campos de ter entregue, como chefe de gabinete de Paulo Câmara, a pior segurança pública da história de Pernambuco.
Saúde, abastecimento de água, meio ambiente e obras urbanas também foram debatidos pelos candidatos.
Empate técnico na pesquisa Quaest
Pesquisa Quaest divulgada nesta terça aponta empate entre Lyra e Campos, ambos com 42% das intenções de voto no primeiro turno. Campos avançou três pontos em relação à rodada anterior, enquanto a governadora subiu um ponto. No levantamento de 23 de setembro, Lyra tinha 41%, contra 39% do ex-prefeito; em 8 de setembro, ela aparecia com 43%, ante 37% do adversário.
Pernambuco conta com 7.225.744 eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É o sétimo maior colégio eleitoral do país e o segundo do Nordeste, com 53,64% do eleitorado composto por mulheres.
Moraes ainda questionou o apoio de Campos ao presidente Lula (PT), lembrando o histórico do PSB de apoio a Aécio Neves (PSDB) à Presidência em 2014 e o voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.
