Quase metade dos ocupados na Argentina está fora do mercado formal

A informalidade no mercado de trabalho argentino alcançou 45% dos trabalhadores, conforme dados referentes ao segundo trimestre de 2026, divulgados nesta segunda-feira (12). O indicador foi conhecido quando o país completa quase três anos de governo de Javier Milei.

Na prática, o percentual mostra que quase metade das pessoas ocupadas no país atua sem registro formal de emprego. Nessa condição, os trabalhadores ficam de fora das proteções previstas na legislação trabalhista, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, aviso prévio, seguro por desemprego e recolhimento previdenciário.

A taxa de informalidade é um dos principais termômetros da qualidade do emprego em qualquer economia. Quanto maior o número, maior a parcela da força de trabalho sem vínculo formal, sem contribuição previdenciária e sem acesso aos direitos garantidos pela contratação oficial.

O contexto do governo Milei

Milei, economista identificado com o libertarianismo, tomou posse em dezembro de 2023 defendendo o enxugamento do Estado, o corte de gastos públicos e a desregulamentação da economia. Entre as bandeiras do plano de governo está a flexibilização das regras trabalhistas, apresentada pelo presidente como caminho para reduzir o custo da contratação e ampliar a criação de vagas formais.

É nesse cenário que o índice de informalidade chega a 45% — patamar equivalente a dizer que, a cada dez pessoas trabalhando na Argentina, quase cinco estão fora do mercado formal.

O crescimento desse tipo de vínculo costuma produzir efeitos sobre as contas públicas e a proteção social: queda na arrecadação de contribuições, pressão adicional sobre a previdência e maior vulnerabilidade das famílias, que perdem a rede de amparo em situações de desemprego, doença ou aposentadoria.

No plano político, o dado tende a intensificar o debate sobre os resultados do modelo econômico aplicado desde o fim de 2023. O governo, que defende a flexibilização das normas trabalhistas, sustenta que regras mais simples e um ambiente de negócios menos burocrático são o caminho para gerar ocupação formal.

Último Post acompanha a evolução dos indicadores do mercado de trabalho na Argentina.