O que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o craque português Cristiano Ronaldo têm em comum? Para o bem e para o mal, muita coisa. A leitura é da jornalista portuguesa Mafalda Anjos, comentarista de TV e radialista, em artigo publicado em 5 de outubro de 2026.
Futebol e política, lembra a autora, são territórios mais parecidos do que se imagina: paixões que mobilizam multidões, disputam glória e poder e se sustentam em narrativas de comunidade e pertencimento. Os dois mundos, ainda segundo ela, vivem de figuras marcantes e de lideranças.
Nestes dias, dois grandes nomes dessas áreas estão no centro das atenções e sob fogo cruzado. Lula disputa sua sétima eleição presidencial e saiu do primeiro turno em clara desvantagem, atrás do candidato Flávio Bolsonaro, além de enfrentar uma pesada onda de direita no Senado. Ronaldo, por sua vez, abandonou a concentração da seleção portuguesa em conflito com o técnico Jorge Jesus, depois que seu status e sua condição de titular foram questionados.
Origens humildes, glória planetária
O que aproxima os dois? Ambos são estrelas veteranas em suas profissões. Aos 80 anos, com quase seis décadas de política, Lula é o candidato presidencial mais idoso da história das eleições diretas brasileiras. Ronaldo, aos 41, tornou-se o jogador mais velho de todos os tempos a representar a equipe de Portugal.
Os dois também partiram de baixo, da pobreza, e alcançaram glória planetária. Lula foi o primeiro a conquistar três mandatos presidenciais no Brasil e se firmou como um líder global ultra-carismático. Ronaldo está entre os jogadores mais condecorados e decisivos da era moderna e é, indiscutivelmente, o português mais famoso de todos os tempos.
Onde ambos falharam
Para a colunista, o erro compartilhado está na dificuldade de aceitar a passagem do tempo e permitir uma transição natural de protagonismo. Nem Lula nem Ronaldo estimularam o surgimento de novos talentos, de outros líderes que brilhassem em campo e a quem pudessem passar o bastão.
Os dois deram tudo por seus países, sem dúvida, mas teriam agido como eucaliptos, aquelas árvores que secam tudo ao redor. Obstinados e combativos, ambos vão lutar até o fim de suas forças, mas cometeram erros que podem levá-los a sair derrotados pela porta pequena. Despedidas tristes que não honrariam nem o legado nem a história de cada um.
