O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, marcou para esta terça-feira (13) uma reunião com os advogados das campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). O encontro acontece depois que o grupo petista passou a contestar decisões do ministro que favoreceram o candidato do PL.
A mais recente delas veio no último domingo (11), quando Kassio determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, mantido pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Logo em seguida, porém, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral do tribunal, reverteu a medida e autorizou que o canal seguisse operando até que o plenário do TSE examine o caso.
A suspensão havia sido determinada a partir de um pedido de Flávio Bolsonaro, que acusou Janones de usar o canal para espalhar informações falsas e articular ataques contra sua candidatura.
Segundo a pauta divulgada, a reunião está marcada para as 15h30. Dois interlocutores afirmaram, no entanto, que o encontro já havia sido agendado cerca de uma semana antes da polêmica envolvendo o canal criado por Janones — ou seja, a motivação inicial não teria sido os atritos recentes entre as duas campanhas.
Quem estará no encontro
Pelas informações, devem participar da reunião a advogada eleitoral Maria Claudia Bucchianeri, que representa a campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da candidatura do PL, e o jurista Angelo Ferraro, integrante da equipe jurídica do presidente Lula.
O canal administrado por Janones já contava com mais de 3 milhões de usuários e figurava entre as principais apostas do grupo petista para organizar sua mobilização digital no segundo turno.
Análise técnica não encontrou conteúdo apontado
A área técnica do TSE informou não ter localizado, no canal, o material citado pela campanha de Flávio Bolsonaro como base da denúncia contra o grupo.
O parecer foi produzido a pedido do próprio Kassio Nunes Marques, que no domingo solicitou à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do tribunal uma investigação sobre o conteúdo divulgado no canal.
“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”, apontou o relatório técnico.
O episódio se soma à sequência de embates judiciais entre as campanhas no segundo turno das eleições de 2026, com decisões do TSE no centro da disputa entre os dois candidatos.
