O deputado federal André Janones (Rede), responsável por coordenar uma intensa mobilização digital em defesa da reeleição do presidente Lula (PT), e apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), rival do petista no segundo turno, trocaram ameaças de revelações nas redes sociais às vésperas do debate marcado para esta sexta-feira (23), na Globo.

Ameaça de plateia e vídeo

Janones, que organiza o canal do WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de 8 milhões de seguidores, publicou no X nesta quinta-feira (22) que “alguém desmaiará amanhã no debate quando vir quem estará na plateia”.

“Detalhe: vocês não terão que acreditar em mim, nem na pessoa nem em ninguém, pois vocês irão VER!!”, escreveu o deputado.

Na quarta-feira (21), Fabio Wajngarten, que chefiou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência no governo Jair Bolsonaro (PL), comentou nas redes o caso de uma mulher que, segundo ele, seria uma “golpista profissional que chantageia homens, pede dinheiro em troca de silêncio”.

“Está falando com a imprensa, modelo fracassada. Denunciou falsamente policiais daqui de São Paulo. Quer ser protagonista da eleição. Será desmascarada. To marcando de perto”, afirmou Wajngarten.

Nesta quinta, Janones republished a publicação de Wajngarten e mencionou um vídeo que, de acordo com ele, deve ser divulgado. “Algum advogado sabe me dizer como alguém conseguiria desmentir um vídeo que vem a público acompanhado de dois laudos dos maiores peritos do Brasil, confirmando que o vídeo não sofreu qualquer manipulação de imagens e que não houve uso de IA?”, questionou.

Segundo reportagem da revista piauí divulgada na quarta, Flávio Bolsonaro teria participado, em julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19, de uma festa em lancha em Brasília com lobistas e prostitutas. O senador não se manifestou sobre o tema.

Wajngarten voltou a falar sobre a mulher citada nesta quinta, afirmando que ela faz e gerencia “programas”, explorando “homens e mulheres”. “Depois vai na imprensa e se vitimiza. Depois vai nos grandes escritórios de advocacia e tenta o acordo diante da chantagem. Vai dar errado. Já deu”, escreveu.

Ataques do campo bolsonarista

No lado bolsonarista, apoiadores de Flávio passaram a circular imagens de um banco islâmico de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, insinuando que a primeira-dama, Janja da Silva, teria realizado alguma operação financeira suspeita durante viagem ao Oriente Médio.

Desde a quarta-feira, o jornalista Claudio Dantas, que tem divulgado conteúdo favorável ao filho de Bolsonaro na campanha, publicou três posts no X. Ele perguntou se Janja conhece o banco e ameaçou: “Lembra daqui? Eu conto ou vc conta?”.

“Será que a Georgiane será a nova Luchsinger?”, escreveu Dantas, em alusão à lobista Roberta Luchsinger, investigada junto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente.

As publicações foram enviadas a jornalistas por WhatsApp por uma pessoa ligada à campanha de Flávio. No X, um apoiador do senador, com mais de 90 mil seguidores, disse ter participado de um “madrugadão com Claudio Dantas apurando informação de Janja no Oriente Médio”. “O debate será extremamente divertido. Acabou o sigilo”, afirmou.

Cenário do segundo turno

O primeiro debate, realizado no domingo (18), na Band, ficou marcado pela ausência de propostas. Com a influência do digital influencer Pablo Marçal, Flávio adotou tom provocativo e debochado, enquanto Lula não conseguiu controlar as discussões e se irritou em diversos momentos.

Segundo apuração da Folha, para o embate na Globo o senador será treinado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com o objetivo de reduzir a influência de Marçal sobre sua atuação.

Pesquisas qualitativas com grupos focais conduzidas durante o encontro na Band indicaram que, embora Lula não tenha tido um bom desempenho na avaliação dos entrevistados, a performance de Flávio foi considerada agressiva, o que poderia afastar eleitores indecisos.