A menos de uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Lula (PT) usou a propaganda eleitoral na TV de terça-feira (29) para associar o senador Flávio Bolsonaro (PL) às bets e criticá-lo por declarações sobre a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Na quarta-feira (30), o rival mirou o eleitorado de Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), afirmando ser o único capaz de derrotar o petista.

Ataques à CNBB e à padroeira

O programa petista começou com um comunicado oficial lido por um locutor, com o texto exibido na tela. A peça explora a repercussão de notícias falsas envolvendo o adversário e Nossa Senhora Aparecida, tema que marca a reta final da campanha.

“Diante dos ataques de Flávio Bolsonaro à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e à Igreja Católica, manifestamos o nosso repúdio. É inaceitável que um candidato desrespeite religiosos por interesses eleitoreiros. Quando um político ataca uma religião, todas as religiões são atacadas também”, diz trecho da mensagem, que também expressa solidariedade aos bispos e aos devotos da padroeira do Brasil.

Em atos de campanha, Flávio tem afirmado que o PT espalhou, com ajuda de “gente de dentro da CNBB”, a notícia falsa de que ele retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Não há registro de declaração do senador sobre o tema, e a entidade negou ter produzido ou divulgado informações falsas sobre a eleição.

Bets e cassinos

Lula também aparece no programa prometendo um Brasil sem bets, que, segundo ele, estão acabando com a paz das famílias. O locutor afirma que o petista “já entrou em campo e fechou as bets” e classifica Flávio como defensor das apostas e dos cassinos.

A peça exibe ainda vídeo de Paulo Guedes, ministro da Economia no governo Jair Bolsonaro (PL), gravado em reunião ministerial em 2020, em que defendia a liberação de cassinos para atrair turistas. “Deixa cada um se foder do jeito que quiser”, diz o então ministro. Na sequência, o programa mostra Flávio defendendo resorts integrados com cassinos no país e pergunta se o senador está ao lado das bets ou da família do eleitor.

Na sexta-feira (25), Lula assinou medida provisória que proíbe as apostas online no país — decisão que contraria iniciativa anterior da própria gestão petista. As apostas foram liberadas por lei sancionada por Michel Temer (MDB), que previa regulamentação em até quatro anos, mas funcionaram sem regras no governo Jair Bolsonaro, pressionado por congressistas evangélicos. A regulamentação só veio no governo Lula.

Flávio, por sua vez, explorou durante a campanha a associação entre o presidente e as casas de apostas. Já chamou Lula de “pai do Tigrinho” e classificou a proibição como eleitoreira.

Disputa por Caiado e Cury

No programa de quarta-feira (30), a campanha de Flávio exibiu depoimentos de eleitores que dizem ter votado em Lula e se arrependido. Alguns afirmam que o petista traiu a população e que o senador é o único com força para tirá-lo do poder. Um entrevistado disse ter cogitado votar em Caiado, mas desistiu por considerar que ele não teria essa força; outro questionou o que adiantaria votar em Cury ou em Caiado.

Flávio então se dirige a eleitores com ressalvas ao seu nome, afirmando que o votante pode não concordar com tudo o que ele fala, mas que, do outro lado, tem certeza de que vai dar errado. “Não precisa gostar de mim. Goste de você, goste da sua família, goste do Brasil”, disse.

O apelo ocorre em meio a empate no limite da margem de erro entre os dois candidatos no primeiro turno. Segundo pesquisa Datafolha realizada em 22 e 23 de setembro, Lula tem 40% das intenções de voto e Flávio, 36%.