A campanha do presidente Lula (PT) exibiu, no horário eleitoral gratuito desta quarta-feira, 21, um fragmento de entrevista do general Santos Cruz, que foi ministro-chefe da Secretaria de Governo no governo Jair Bolsonaro. Na entrevista, concedida ao canal Revelando, no YouTube, o militar criticou o extremismo de direita e questionou a capacidade de Flávio Bolsonaro (PL).

Santos Cruz, porém, rejeitou o uso do material e acusou a campanha petista de ter feito um “recorte desonesto” da entrevista, além de utilizar sua imagem para pedir votos sem autorização.

General nega apoio a candidato

“No dia de hoje houve a divulgação da minha imagem, vinculando-a a pedido de voto para um dos candidatos. Isso é falso, um recorte desonesto”, afirmou o general em declaração à CNN Brasil.

Ele reforçou que as opiniões expressas estão contidas na íntegra da entrevista e negou qualquer tipo de apoio eleitoral. “Não pedi e não peço voto a candidato nenhum. Cada eleitor que faça sua escolha. É um direito universal. E o resultado final deve ser respeitado por todos os brasileiros. E que todos torçam para que o eleito e o novo governo tenham sucesso”, completou.

Para o militar, a peça da campanha de Lula configurou uma “montagem irresponsável”.

“Recentemente dei uma entrevista em vídeo para o canal Revelando. Só esse canal tem o meu direito de imagem. Eu não cedi esse direito a ninguém mais e a nenhum outro veículo de comunicação. O canal Revelando também não”, esclareceu.

O que Santos Cruz disse na entrevista

Na conversa com o canal Revelando, o ex-ministro foi questionado sobre seu posicionamento ideológico e respondeu: “Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo aí, isso aí não é direita. Isso é vigarice. Isso não é nada. Isso aí se chama vigarice”.

Santos Cruz também fez críticas duras a Jair Bolsonaro e ao filho mais velho. “Eu conheci o pai e não deu certo por causa disso. Teve toda a oportunidade para dar certo, mas não deu porque não tinha preparo suficiente, não conhecia nada de nada, não sabia nada de nada e é uma característica de covardia pessoal. Agora, o filho mais velho, ele não tem identidade. Ele representa o interesse do pai, o interesse familiar, que tem todo o direito de se candidatar e a população é que vai decidir”, declarou.

Perguntado se temia uma eventual Presidência comandada por Flávio Bolsonaro, o general descartou qualquer receio. “Não tenho medo nenhum. Eu só acho que não tem passado nenhum que mostre conhecimento, o conhecimento da atividade executiva, nada disso”, avaliou.

Anteriormente, em outra declaração, Santos Cruz havia classificado Bolsonaro como “um populista” e afirmado que o ex-presidente “prejudicou muito a direita”.