A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, nesta quarta-feira (21.out.2026), uma mensagem dirigida ao povo brasileiro em razão do 2º turno das eleições de 2026. A carta, divulgada nas redes sociais, reafirma a defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, além de classificar como “inadmissível” qualquer forma de coação eleitoral.
Assinada pelo Conselho Permanente da entidade, a mensagem destaca que a liberdade de escolher os governantes é uma expressão essencial da democracia e convoca os eleitores a participarem do pleito de maneira consciente. A CNBB também ressalta que a eleição de um candidato não encerra o dever cívico da população, que deve continuar acompanhando a gestão pública e exercendo o papel ativo de “participar, fiscalizar e reivindicar”.
Prioridades sociais
No documento, a CNBB elenca necessidades sociais que devem orientar a atuação da sociedade na avaliação dos candidatos:
• acesso a trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança pública de qualidade;
• preservação ambiental, proteção aos direitos humanos e promoção da justiça social;
• defesa da liberdade de expressão e proteção a quem denuncia injustiças.
Para o julgamento dos postulantes que disputam o 2º turno, a instituição orienta que os eleitores considerem a trajetória política, as práticas anteriores e os compromissos de cada candidato com a manutenção da democracia.
Íntegra da carta
“MENSAGEM DO CONSELHO PERMANENTE DA CNBB AO POVO BRASILEIRO POR OCASIÃO DO 2º TURNO DAS ELEIÇÕES NACIONAIS DE 2026
“‘Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça’ (Mt 6,33)
“Às vésperas do 2º turno das eleições, dirigimo-nos ao povo brasileiro com fraterna estima. O Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade. Precisa cuidar do meio ambiente, garantir os direitos humanos e promover a paz. O desenvolvimento deve assegurar vida digna e justa a todos e oportunidades às novas gerações. Espera-se que todos(as) os(as) eleitos(as) assumam esses compromissos com determinação.
“Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste 2º turno das eleições.
“O voto é livre e secreto. Ameaçar ou pressionar eleitores bem como negociar votos são práticas inadmissíveis. Governos recebem mandatos, os cidadãos conservam a responsabilidade de participar, fiscalizar e reivindicar. A crítica responsável e o diálogo franco fortalecem a democracia. Essa tarefa exige informação confiável, liberdade de expressão e proteção para quem denuncia injustiças.
“Cada eleitor(a) é convidado(a) a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo. Nossa esperança em Jesus Cristo nos chama ao compromisso com o Reino de Deus. Atentos aos pobres, aos ameaçados e aos que trabalham pela justiça, continuemos responsáveis uns pelos outros e pelo nosso país.
“Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz.
“Brasília – DF, 21 de outubro de 2026
“Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB”
CNBB e as eleições
Fundada em 14 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, a CNBB é o órgão permanente que reúne os bispos da Igreja Católica no país para deliberar, planejar e orientar as ações pastorais e sociais da Igreja em território nacional. Atualmente sediada em Brasília, a entidade também coordena iniciativas sociais, além de suas atribuições religiosas.
Em setembro, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o PT teria contado com a ajuda de pessoas de dentro da CNBB para disseminar a notícia falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A instituição negou envolvimento na divulgação de informações falsas e declarou que alegações sem provas atingiam injustamente a entidade. No dia seguinte, Flávio Bolsonaro agradeceu à CNBB pela nota de esclarecimento, mas manteve as críticas ao PT e a seus apoiadores.
