Praia, normalmente, é associada ao litoral. Em Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará, porém, a cena é outra: no meio da Floresta Amazônica, o Rio Tapajós forma bancos de areia branca e águas transparentes de água doce. O contraste rendeu à vila o apelido de Caribe Amazônico.
Por que o apelido de Caribe Amazônico?
Segundo a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), as praias ficam às margens de um rio de água morna e verde-azulada, o que lembra o mar do Caribe — mas sem sal e com a floresta ao fundo. A fama internacional veio em 2009, quando o jornal britânico The Guardian incluiu a vila em uma lista das praias mais bonitas do Brasil. O portal Visit Brasil, da Embratur, destaca ainda o encontro das águas visível do cais de Santarém, onde o Amazonas barrento encontra o Tapajós azulado.
Outros marcos reforçam a projeção do destino: em dezembro de 2024, o Ministério do Turismo incluiu a vila na seleção de sete cenários fotogênicos do país, e a Lei federal nº 14.997 reconheceu a festa do Sairé como manifestação da cultura nacional.
Quando a areia aparece e some
As praias surgem no chamado verão amazônico, entre agosto e dezembro, quando o rio baixa e descobre os bancos de areia. Nesse período, hotéis e pousadas lotam, conforme a Embratur. No restante do ano, com a cheia, o roteiro muda: lagos, igarapés e igapós — trechos de floresta alagados — são explorados de barco, como na trilha da Floresta Encantada.
O que fazer na vila
Pequena, a vila pode ser percorrida a pé, com pousadas, restaurantes e o ponto de partida dos barcos próximos. Entre os programas mais citados estão a Ilha do Amor, faixa de areia em frente à vila com quiosques e mesas na água; a comunidade São Marcos, onde se conhece a produção de alimentos à base de mandioca; a rota de navegação pelos rios Tapajós e Arapiuns, com paradas em comunidades como Anã, Atodi e Trilha dos Castanheiros; e o Mercado Mingote, para levar produtos como a pimenta Wai Wai e o cumaru, a chamada baunilha amazônica.
Na gastronomia, as barracas da praça central servem vatapá, tacacá, maniçoba e açaí. O cardápio inclui ainda peixes de rio, pato no tucupi e o estrogonofe de caju, versão regional do prato.
Como chegar e quando ir
A porta de entrada aérea é o Aeroporto de Santarém, a 34 km da vila. Ônibus partem a cada 30 minutos para os 38 km de estrada, trajeto que a Embratur desaconselha para quem leva muita bagagem. De barco, Santarém fica a duas noites de Manaus e três de Belém.
O calor é constante o ano todo, com mínimas de 24°C a 26°C e máximas de 28°C a 32°C em Santarém. O que muda é a chuva: o primeiro semestre concentra os meses mais úmidos, com pico em março, acima de 490 mm, enquanto o segundo semestre é mais seco — justamente quando as praias de água doce aparecem.
