A descoberta de dois sepultamentos intactos em Göbekli Tepe, na Turquia, pode alterar a interpretação consolidada sobre o famoso sítio arqueológico. Até então, prevalecia a ideia de que o local servia apenas como espaço de rituais coletivos, sem registro claro de ocupação permanente. Os novos achados reacendem a discussão sobre se pessoas também viveram ali no cotidiano.

O que se sabia até agora

Construído por caçadores-coletores há milhares de anos, Göbekli Tepe é conhecido mundialmente por seus enormes pilares de pedra entalhados. A leitura dominante entre os especialistas apontava o lugar como um centro cerimonial, destinado a reunir grupos para rituais específicos, sem provas consistentes de moradia permanente.

Como eram os sepultamentos

Os pesquisadores identificaram duas estruturas funerárias preservadas. A primeira é uma fossa em formato de rim, onde estavam os restos de uma mulher, um jovem e uma adolescente. A segunda é um enterro individual, com uma mulher jovem depositada em posição fletida. As datações apontam para o período entre aproximadamente 8700 e 8000 a.C., totalizando quatro indivíduos.

Por que o achado muda o debate

Os restos humanos já conhecidos no sítio apareciam sempre como ossos fragmentados e dispersos dentro das construções, o que facilitava interpretá-los como vestígios de atividades rituais. Encontrar, pela primeira vez, sepultamentos completos e intactos representa um tipo diferente de evidência: um corpo inteiro depositado de forma deliberada indica uma prática distinta do simples descarte de ossos soltos durante uma cerimônia.

Explicação alternativa

A própria equipe considera outras possibilidades. Os ossos fragmentados encontrados dentro das estruturas podem, de fato, ter sido depositados em contextos rituais. Mas os pesquisadores também levantam a hipótese de que erosão e deslizamentos de terra tenham deslocado ossos de sepultamentos originalmente situados em pontos mais altos do monte, o que torna ainda mais complexa a reconstrução do uso real do espaço ao longo do tempo.

Quem conduziu o estudo

A pesquisa foi liderada por Julia Gresky, do Instituto Arqueológico Alemão (DAI), instituição que acompanha as escavações em Göbekli Tepe há anos. Os resultados foram publicados na revista científica PLOS One, que submeteu o artigo a revisões de outros especialistas da área antes da publicação final.

Descobertas que obrigam a reavaliar interpretações já consolidadas também aparecem no relato sobre o magma etíope rastreado por satélite sem necessidade de perfurar o vulcão. Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original da Archaeology Magazine.