A economia da Argentina dá sinais claros de que pode entrar em uma nova recessão ainda durante a gestão do presidente Javier Milei. O cenário coloca em xeque a percepção de que o ajuste fiscal em curso no país vizinho seria capaz de conciliar o combate à inflação com a retomada do crescimento econômico.
Modelo ultraliberal em teste
A política econômica adotada pelo governo Milei é marcada por um receituário ultraliberal, que combina cortes profundos de gastos públicos, ajuste fiscal rigoroso e reformas de mercado. O conjunto de medidas tem despertado interesse de políticos brasileiros: o modelo do presidente argentino é citado como fonte de inspiração para o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, os resultados da política de choque aplicada em Buenos Aires começam a mostrar efeitos colaterais sobre a atividade produtiva. O enxugamento do Estado e a contração da renda disponível pesam sobre o consumo interno, principal motor do comércio e dos serviços na economia argentina.
Impactos do ajuste sobre a atividade
Analistas acompanham com atenção a trajetória dos indicadores do país. A queda na produção industrial, o recuo nas vendas do varejo e a deterioração do mercado de trabalho são alguns dos sinais que reforçam a leitura de que a economia argentina caminha para um novo período de retração.
O desafio do governo Milei é manter a disciplina fiscal, pilar central de sua gestão, sem aprofundar de forma irreversível a crise social. A população vem enfrentando o impacto da inflação alta sobre o poder de compra, e os cortes de subsídios e programas públicos aumentaram a pressão sobre as famílias de baixa renda.
Interesse do Brasil no caso argentino
O desempenho da economia argentina tem repercussão direta no debate político brasileiro. A experiência do vizinho é usada como referência, tanto por defensores quanto por críticos do liberalismo econômico, no discussion sobre o rumo das políticas públicas no Brasil.
Para o senador Flávio Bolsonaro, o modelo de Milei representa um caminho a ser observado. Para opositores do ultraliberalismo, a possível nova recessão argentina serve como alerta sobre os custos sociais do ajuste em curso.
Os próximos meses serão decisivos para verificar se o plano de estabilização do governo argentino consegue estancar a perda de dinamismo da economia. Enquanto isso, o país segue sob observação de mercados, governos e atores políticos da região, que aguardam a confirmação — ou não — de que a recessão se instalou de vez na Argentina de Milei.
