O presidente Lula (PT) confirmou à Globo que não participará do debate presidencial marcado pela emissora para esta quinta-feira (1º). A informação foi divulgada pelo portal G1 e confirmada à Folha por um integrante da cúpula da emissora. Até o fechamento desta reportagem, a campanha do petista não havia respondido oficialmente.

No mesmo horário, o presidente concederá entrevista ao Flow Podcast, às 20h45, pouco antes do início do confronto na Globo. A movimentação repete a estratégia adotada na data do debate da Band, quando o petista preferiu dar entrevista exclusiva à Record.

Aliados do petista avaliavam nesta semana que a tendência era de ausência, mesmo depois de Lula ter considerado a possibilidade de participar. Prevaleceu a leitura de que ele seria o alvo de todos os adversários, com tempo limitado de resposta. Havia ainda o cálculo de que, sem o presidente, as críticas provavelmente se voltariam contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria de prestar explicações.

Quem está confirmado no encontro

Segundo a Globo, além de Flávio Bolsonaro, estão confirmados Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

A presença de Zema foi garantida por decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, a pedido do Novo. A corte entendia que a participação em debates exigia a eleição de ao menos cinco deputados federais em 2022. O partido pediu que fosse considerada a composição atual da Câmara — hoje, a sigla conta exatamente com cinco parlamentares: Adriana Ventura (SP), Gilson Marques (SC), Luiz Lima (RJ), Marcel van Hattem (RS) e Ricardo Salles (SP).

Renan Santos, do Missão, não foi convidado. O partido foi registrado em novembro de 2025 e possui apenas um deputado federal, Kim Kataguiri (SP), filiado em março.

Histórico de ausências

Lula não compareceu a nenhum debate do primeiro turno deste ano, mas participou de sabatinas e entrevistas. Flávio Bolsonaro também evitou os confrontos. O esvaziamento dos dois principais candidatos levou ao cancelamento de dois dos quatro encontros previstos.

Em 23 de agosto, o debate da Band, em parceria com TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan, reuniu apenas Cury, Caiado e Renan Santos — menor quórum desde 1989. O encontro marcado para 14 de setembro pelo consórcio O Momento da Decisão, formado por 11 veículos, foi cancelado após a ausência de confirmação dos líderes nas pesquisas. A Record, que promoveria o terceiro debate em 27 de setembro com o jornal O Estado de S. Paulo, também desistiu.

O histórico de ausências não é novo. Em 2018, o PT não levou candidatos aos dois primeiros debates, organizados por Band e Rede TV. Com Lula preso desde abril daquele ano, em decorrência da Operação Lava Jato, o partido insistiu na candidatura e pediu, sem sucesso, autorização judicial para participação. Fernando Haddad assumiu em setembro e foi aos debates seguintes. Jair Bolsonaro, então estreante, compareceu aos dois primeiros e faltou aos demais após ser esfaqueado em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro.

Em 2022, RedeTV e TV Aparecida cancelaram seus debates porque Lula e Bolsonaro, líderes nas pesquisas, não confirmaram presença. O petista, com direitos políticos restabelecidos, faltou ao debate do SBT em 24 de setembro, alegando agenda de comícios. No segundo turno, os dois se enfrentaram na Band e na Globo, e Lula ausentou-se dos debates do SBT e da Record, que viraram sabatinas com o então presidente.