O primeiro turno da eleição presidencial confirmou o quadro de contrastes regionais: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve votação expressiva no Nordeste, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquistou mais eleitores nas demais regiões do país. Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Sudeste e Minas Gerais
No Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, as urnas penderam para Flávio Bolsonaro em cenário de relativo equilíbrio. O senador também venceu no Centro-Oeste e na maioria dos estados do Norte.
A vitória em Minas Gerais ganha peso no cenário nacional. O estado é visto como um espelho da votação no Brasil: nunca um candidato venceu a presidência sem ser o mais votado lá. Além de fazer divisa com três regiões — Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste —, Minas apresenta diferenças territoriais que refletem contrastes culturais e socioeconômicos do país.
Grandes cidades e interior paulista
A maioria dos grandes centros urbanos optou por Flávio, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, capitais do segundo e do terceiro maiores colégios eleitorais. São Paulo foi a exceção: na maior cidade do país, o petista venceu por margem apertada.
Na região metropolitana da capital paulista, porém, o PT foi derrotado em municípios populosos como Guarulhos, Osasco e Mogi das Cruzes. No ABC paulista, berço político de Lula, o bolsonarismo venceu em Santo André e São Caetano do Sul; o presidente só foi o mais votado em São Bernardo do Campo.
O interior paulista repetiu o padrão de eleições anteriores e ampliou a vantagem de Flávio. Além de ganhar em quase todos os municípios pequenos e médios, o senador venceu em cidades como Campinas, Ribeirão Preto e São José dos Campos — e até em Araraquara, reduto histórico da esquerda que já teve Edinho Silva, atual presidente do PT, como prefeito.
Centro-Oeste e Sul
Principal representante do agronegócio, o Centro-Oeste reforçou a rejeição ao petismo. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Lula ficou na casa dos 30%, enquanto Flávio atingiu cerca de 60%. Em Goiás, aproximadamente 10% do eleitorado escolheu o ex-governador Ronaldo Caiado; mesmo assim, Flávio superou 50% dos votos e Lula se manteve na casa dos 30%.
No Sul, Santa Catarina e Florianópolis, assim como o Paraná e Curitiba, votaram em peso no bolsonarista. Porto Alegre destoou: a capital gaúcha escolheu Lula, embora Flávio tenha vencido no estado do Rio Grande do Sul.
Norte e Nordeste
No Norte, Acre, Rondônia e Roraima deram amplo apoio a Flávio, com 60% a 70% dos votos. Vitórias apertadas de Lula no Amapá, no Amazonas e no Pará impediram o domínio regional do bolsonarismo.
Lula chega ao segundo turno sustentado pela votação majoritária no Nordeste. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, o presidente obteve mais que o dobro dos eleitores de Flávio — desempenho quase idêntico ao registrado em Salvador.
Mesmo na região mais favorável ao petista, porém, o rival teve vitórias pontuais. Em Maceió, Flávio passou de 50% dos votos e abriu mais de dez pontos percentuais sobre Lula. A dianteira na capital alagoana não impediu, no entanto, a vitória do presidente na contagem geral do estado.
