Em 2024, o ator mineiro Pablo Sanábio, então com 43 anos, notou a visão embaçada enquanto conversava pelo WhatsApp. Atribuiu o sintoma a uma crise de ansiedade, e o episódio passou. No dia seguinte, porém, foi ao mercado e esqueceu o motivo da ida. Outras falhas de memória se seguiram: ele não sabia mais onde ficava a escola da filha nem como pedir um Uber.
Ele seguiu com a rotina até sofrer uma convulsão — momento em que, segundo ele, tudo mudou. Internado e submetido a exames de imagem, descobriu ter um tumor cerebral. Após cirurgia com retirada da lesão e margem de segurança, a biópsia confirmou o diagnóstico de glioma.
O que é o glioma
O glioma é um câncer que se origina em células do sistema nervoso e é o principal tumor primário do cérebro, além de ser o tumor sólido mais comum entre crianças e adolescentes. Estima-se cerca de 4,5 casos a cada 100 mil habitantes. Quando sintomas como alterações visuais, perda de memória ou convulsões aparecem, a doença em geral já está avançada.
A neuro-oncologista Caroline Chaul, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que a doença é classificada por grau de agressividade e velocidade de crescimento. Desde 2009, a classificação considera também a presença de mutação no gene IDH. Segundo ela, cerca de 40% dos pacientes têm essa mutação, o que pode alterar o tratamento, hoje com medicamentos voltados a esse alvo. Pacientes com glioma de baixo grau e IDH mutado podem ter sobrevida de décadas.
Os sintomas dependem da região do cérebro atingida e incluem convulsões, alterações cognitivas, dificuldades de fala ou coordenação motora, dores de cabeça intensas, náuseas e vômitos. Por serem inespecíficos, servem de alerta para buscar avaliação médica.
Tratamento e remissão
Pablo Sanábio passou por sessões de quimioterapia e radioterapia. “Na sala da radioterapia, eu buscava visualizar a vida que eu queria ter”, relata. “Me via viajando com a minha filha… Era um exercício de esperança que eu construía diariamente.” Em maio de 2025, concluído o tratamento, ele entrou em remissão e segue em acompanhamento com exames periódicos.
O ator assumiu uma nova missão: falar abertamente sobre o glioma. Ele é um dos embaixadores da campanha “Isso é um glioma”, do laboratório francês Servier, que completa 50 anos no Brasil e 70 no mundo, com o lema “O primeiro passo é enxergar. O segundo é se informar”.
O diagnóstico do glioma é feito por exames de imagem do crânio, como ressonância magnética, e biópsia do tecido cerebral, que identifica o perfil molecular e genético do tumor e pode mudar a conduta terapêutica. O tratamento envolve cirurgia, radioterapia, quimioterapia, monitoramento ativo e, mais recentemente, terapias-alvo. Em 2024, a Servier lançou no mercado os primeiros medicamentos voltados à mutação de IDH, de uso oral, que atuam especificamente sobre as células cancerosas, preservando as saudáveis.
Para mapear a jornada dos pacientes, a Servier se uniu ao Instituto Oncoguia em pesquisa com 23 brasileiros de diferentes regiões, entrevistados online por psicólogas. O levantamento apontou que 20% deles levaram mais de um ano para receber o diagnóstico, e 45%, entre três meses e um ano. Como em outros cânceres, quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as perspectivas.