A noite do primeiro turno das eleições de 2026, neste domingo (4), começou com forte expectativa nos grupos públicos de WhatsApp monitorados pela Palver. Desde as primeiras parciais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco depois das 17h, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecia à frente do presidente Lula (PT), e a vantagem se manteve ao longo de toda a apuração.

De acordo com o levantamento da empresa, que acompanha em tempo real mais de 100 mil grupos públicos, entre 17h30 e 20h30 nove em cada dez mensagens de cunho político tratavam de Lula ou de Flávio. Na meia hora inicial, quatro em cada dez eram prints ou transcrições do placar do TSE, acompanhado minuto a minuto. Após as 20h, o foco mudou: passou-se a celebrar eleitos para o Senado, a Câmara e os governos estaduais e a especular sobre o segundo turno presidencial.

Três fases no campo bolsonarista

Entre os apoiadores de Flávio, a noite se dividiu em três momentos. O primeiro foi de euforia, com a convicção de que a disputa seria resolvida ainda no primeiro turno. O segundo começou com o congelamento do painel do TSE, interrompido por quase uma hora com o candidato a menos de meio ponto da vitória em turno único. Nesse intervalo, proliferaram especulações e notícias falsas sobre uma possível intervenção no pleito.

Ao menos uma em cada seis mensagens que falavam em travamento ou fraude fazia comparação com a virada de Lula às 20h02 no primeiro turno de 2022. Houve ainda quem previsse que um suposto ‘algoritmo’ começaria a funcionar quando dois terços das urnas estivessem apuradas. Com o segundo turno confirmado, o clima virou festa: os bolsonaristas comemoraram a eleição de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal e a derrota de ex-aliados acusados de trair Bolsonaro. O tema Senado saltou de 7% para 11% das mensagens.

Esperança no Nordeste e resignação

Do lado do governo, a decepção foi amenizada por resultados pontuais e pela aposta numa virada puxada pelo Nordeste. Até a pausa do TSE, mais de 7% das mensagens citavam a região, quase sempre como promessa de reversão do placar. Depois das 20h, com a vantagem de Flávio resistindo à chegada dos votos nordestinos, a fatia caiu para pouco mais de 4%, e o tom passou da expectativa à resignação. Bolsonaristas, por sua vez, culparam o Nordeste pela necessidade de um segundo turno.

Rumo à disputa final

Com os resultados consolidados, apoiadores de Flávio passaram a somar os votos de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos para tratar a eleição como decidida. Nos grupos de esquerda, a tentativa foi de reanimar a base, lembrando que o segundo turno representa uma nova disputa.

Nas próximas três semanas, o desafio de Flávio será converter os votos dos adversários situados no campo da direita sem cometer erros graves. Para Lula vencer, será preciso construir uma virada inédita, começando por reanimar eleitores frustrados com o resultado que não veio.