O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transmitiu a aliados que não se importa com a decisão do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, de escalar o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para analisar seu sigilo fiscal e bancário.
Segundo assessores, Lula afirmou que a campanha adversária pode chamar Deltan, o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), ou qualquer outra pessoa que queira examinar as suas contas. Para o petista, a movimentação do rival não representa uma ameaça à sua candidatura.
Histórico entre as partes
Deltan Dallagnol foi um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal e foi o responsável pela denúncia que resultou na condenação e na prisão de Lula em 2018, decisão proferida na época pelo então juiz Sergio Moro.
Apesar desse histórico de confronto direto, auxiliares do presidente afirmaram que a estratégia adotada pelo candidato do PL não amedronta o petista.
Avaliação da campanha
Para os assessores do candidato do PT à reeleição, a leitura da campanha de Flávio Bolsonaro é a de que Lula recuaria após o anúncio da chamada “escalação” de Dallagnol. Aliados do presidente, no entanto, garantem que esse recuo não vai acontecer.
O episódio se insere no chamado “desafio dos sigilos”, disputa pública entre as duas campanhas sobre a divulgação de dados protegidos por sigilo fiscal e bancário. As falas de Lula e de Flávio sobre a liberação e o uso dessas informações apresentam diferenças, o que tem alimentado o embate entre os dois lados ao longo da disputa eleitoral.
A movimentação de Flávio ao escalar Dallagnol foi comunicada ao presidente, que, segundo relatos de interlocutores, tratou o assunto com naturalidade e reafirmou disposição de manter o desafio em aberto.