O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu de aliados a avaliação de que a PEC da Segurança será colocada em votação antes do 2º turno das eleições e de que o governo teria, neste momento, os votos necessários para aprovar o fim da escala 6×1. Os sinais foram transmitidos ao petista em conversas com lideranças da base governista no Congresso Nacional.

Articulação em torno da PEC da Segurança

Uma proposta de emenda à Constituição altera o texto da Carta Magna e exige, para ser aprovada, apoio qualificado dos parlamentares, em dois turnos de votação em cada uma das casas do Legislativo. Por isso, o diagnóstico de que o Executivo reuniria o apoio necessário é tratado como um indicativo relevante do humor político no Senado.

No caso da matéria que trata da segurança pública, o texto amplia a participação da União nessa área, que hoje envolve também estados e municípios. A previsão de votação antes do segundo turno indica que a liderança governista pretende acelerar a tramitação da proposta.

Como parte dessa articulação, o petista ligou para o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para agradecer pela votação do texto que amplia a atuação da União na segurança pública. A CCJ é a instância responsável por examinar o mérito jurídico e constitucional das propostas antes de o conteúdo seguir para apreciação em plenário.

Esforço pelo fim da jornada 6×1

A outra frente citada nas conversas com o presidente é a redução da jornada de trabalho. O líder do governo no Senado pediu a parlamentares da base que participem da sessão dedicada ao tema, em mais uma movimentação para reunir quórum e apoio à aprovação da matéria.

A escala 6×1 é o regime em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de atividade e descansa apenas um. A proposta em discussão prevê justamente a redução dessa jornada, alterando o formato vigente de descanso semanal. A avaliação repassada a Lula é de que o governo conta com votos para aprovar o fim desse modelo.

Com os dois temas em destaque, o governo busca demonstrar capacidade de aprovar pautas prioritárias no Senado. O contato direto do chefe do Executivo com o comando da CCJ e o apelo do líder governista aos senadores da base evidenciam a mobilização para as votações que se aproximam.