O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta segunda-feira (5) que ficou decepcionado com o resultado do primeiro turno das eleições, realizado no domingo. A declaração foi feita em reunião com a equipe de campanha e aliados políticos no Hotel San Marco, no centro de Brasília, um dia após a apuração confirmar a vantagem do adversário, Flávio Bolsonaro.
“Vocês pensam que eu não fiquei decepcionado? Toda eleição eu fico decepcionado, porque todas eu quero vencer no primeiro turno”, declarou o presidente.
Números da disputa
Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa com 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou na sequência, com 53.879.538 votos (45,16% dos válidos). A diferença entre os dois candidatos é de 2.224.965 votos. Como nenhum deles alcançou a maioria absoluta, a eleição será decidida em um segundo turno.
Na comparação com o primeiro turno de 2022, o presidente obteve 3.379.966 votos a menos do que naquela eleição.
Abstenção
Lula também reclamou do alto índice de abstenção registrado na votação para a Presidência. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas, o que representa 21,08% do eleitorado. “Será que não gostam dos candidatos?”, questionou o presidente.
Crítica às propostas fiscais
O petista aproveitou o encontro para questionar as propostas de corte fiscal apresentadas pela campanha do adversário. Para ele, o discurso de austeridade ameaça as políticas de inclusão social. “Toda vez nesse País que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social”, declarou.
Segurança pública
Ao falar sobre segurança pública — tema em que o adversário se aproveitou mais ao longo da campanha —, Lula defendeu uma mudança de tom nos discursos sobre o assunto. “Nós vamos ter que dizer em alto e bom som, agora e depois que a gente aprovar a PEC. A segurança pública tem que proteger o cidadão porque o bandido tem que ir para a cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar”, afirmou o presidente, ao citar a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição.
