Os economistas que participaram da criação do Plano Real e declararam apoio à candidatura de Lula na eleição de 2022 não pretendem repetir o gesto na disputa de 2026. Procurados, os principais nomes do grupo optaram por não se pronunciar sobre o pleito deste ano.
Conhecidos como pais do Real, eles ajudaram a desenhar o plano de estabilização lançado em 1994. Há quatro anos, o endosso do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, dos ex-presidentes do Banco Central Pérsio Arida e Armínio Fraga e dos ex-presidentes do BNDES André Lara Resende e Edmar Bacha foi exibido pela campanha petista como demonstração de que a candidatura carregava um caráter de frente ampla.
Apoio no segundo turno
O manifesto dos economistas, de tendência liberal, saiu no segundo turno daquele pleito. A mensagem era um recado de que, apesar das divergências com as ideias do PT, a defesa da democracia era prioritária. A reeleição de Jair Bolsonaro (PL) era vista como uma ameaça às instituições.
O apoio ao petista contra Bolsonaro ajudou, na época, a alimentar a imagem da frente ampla em torno da candidatura que venceu o pleito.
Silêncio na disputa atual
Desta vez, porém, o grupo prefere o silêncio. Consultados, Malan, Arida e Bacha disseram que não pretendem se manifestar neste momento. Fraga e Resende não responderam aos contatos.
Outra que havia declarado voto em Lula em 2022 foi Elena Landau, ex-responsável pela área de privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. Procurada, ela também não quis se manifestar.
Avaliação da campanha
Integrantes da campanha de reeleição do presidente afirmam que a posição dos pais do Real já era esperada. Eles reconhecem que não houve, ao longo do mandato, um esforço para ouvir as ideias do grupo e cultivar uma boa relação com os economistas.
Na leitura do entorno da campanha, o distanciamento dos economistas liberais reflete justamente a ausência de aproximação nos últimos quatro anos.
