A mais recente pesquisa Datafolha indica que 39% dos eleitores avaliam o governo de Lula (PT) como ruim ou péssimo, enquanto 36% consideram a gestão boa ou ótima. Os percentuais configuram empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos. Outros 24% classificam a administração como regular.
Quanto à imagem pessoal do presidente, 49% aprovam o petista e 48% o desaprovam — mais um empate na margem. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-09709/2026, e ouviu 2.520 pessoas entre terça-feira (20) e quinta-feira (22).
Índices melhoram em uma semana
Há sete dias, 41% consideravam o governo ruim ou péssimo, 35% o avaliavam de forma positiva e 23%, regular. Na avaliação pessoal, a reprovação de Lula chegava a 50%, contra 48% de aprovação.
Os números atuais representam alguns dos piores índices já registrados nos três mandatos de Lula à frente do Planalto. O petista, que tenta um inédito quarto mandato, costuma afirmar em público que a atual passagem pela Presidência é a sua melhor.
Medidas de apelo eleitoral
Com a ascensão do rival Flávio Bolsonaro (PL) no fim da campanha do primeiro turno, o presidente acelerou a liberação de benefícios. Segundo cálculo da Folha, os gastos já somam quase R$ 290 bilhões em impacto neste ano e em 2027, o que pressiona a frágil situação fiscal do país.
Só no segundo turno, o governo anunciou ampliação de programa para estudantes, antecipou parcelas do recém-reajustado Bolsa Família, divulgou pacote para microempreendedores individuais e zerou as contribuições federais sobre combustíveis.
O presidente também obteve uma vitória política relevante com a aprovação, na semana passada, da mudança constitucional que trocou a escala 6×1 pela 5×2 em dias trabalhados. Apesar da controvérsia em razão das particularidades de diversos setores, o tema tem ampla aprovação popular.
Debate duro e decisão nos detalhes
Lula também expôs sua imagem pessoal no primeiro confronto direto com Flávio Bolsonaro, realizado pela Band no domingo (18). O debate teve tom altamente agressivo, com o senador pelo Rio buscando incomodar fisicamente o presidente, e foi marcado por trocas de acusações e pouca discussão programática.
O embate pode afastar parte dos eleitores que consideram o governo regular, grupo que, em certa medida, pode reunir indecisos no dia da votação, em um pleito que deve ser decidido nos detalhes. Quem avalia mal a gestão ou reprova o presidente tende a declarar que não vota nele de jeito nenhum.
Na mesma rodada do Datafolha, Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 50% dos votos válidos cada um. Na rejeição, 46% dizem que não votariam apenas em Flávio, e 45%, apenas em Lula.