Por muito tempo, a reputação de Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, esteve ligada à passagem de uma atriz francesa pela vila e à vida noturna do centro. Atualmente, o maior cartão de visita do destino é a qualidade das águas: um número crescente de praias conquistou a certificação ambiental mais cobiçada do litoral brasileiro, e algumas formam piscinas naturais de mar transparente e morno.
Quais praias têm Bandeira Azul em 2026/2027
São cinco: Forno, Azeda, Tucuns (no trecho do Parque das Dunas), José Gonçalves e Caravelas, esta última a mais recente a receber o selo. De acordo com a Prefeitura de Armação dos Búzios, trata-se do único município fluminense com esse volume de praias certificadas e do segundo do país. O resultado foi confirmado pelo júri internacional reunido em Copenhague, na Dinamarca.
O programa Bandeira Azul é coordenado pela Foundation for Environmental Education (FEE) e avalia gestão ambiental, qualidade da água, segurança, educação ambiental, acessibilidade e infraestrutura, com renovação a cada temporada. A Praia do Forno foi a pioneira na península, como recordou a prefeitura ao anunciar a temporada 2025/2026.
Por que Azeda e Azedinha lembram o Caribe
A explicação está na pequena baía cercada por costões rochosos, que mantém o mar praticamente parado. Segundo a Secretaria de Turismo, as duas praias, com 200 m e 50 m de extensão, formam uma grande piscina de água cristalina, morna e tranquila, com areia dourada, tom verde-limão e vista para o pôr do sol.
Há duas versões para o nome: uma associa Azeda à cor da água; outra, às frutinhas ácidas que cresciam na região. O acesso por terra é a pé, por ladeira ao lado da Praia dos Ossos, que termina em escadaria de madeira. No canto da areia, a antiga casa colonial da família de Eugène Honold, nome da história local, tornou-se uma das imagens mais famosas da cidade.
Areia rosada e água fria na Praia do Forno
Com 100 m de extensão, a praia tem areia que fica rosada sob o sol, efeito da grande quantidade de granada desprendida das rochas vizinhas, conforme a Secretaria de Turismo. Já a água, diferente das vizinhas mornas, é clara e fria, influenciada por correntes do sul ligadas à ressurgência de Arraial do Cabo, fenômeno em que águas profundas e geladas sobem à superfície.
As rochas da região guardam ainda outra camada de tempo: formavam o fundo de um oceano extinto há cerca de 610 milhões de anos, antes da formação do supercontinente Gondwana.
O que fazer além das praias
A vila de pescadores ganhou projeção internacional em 1964, quando a atriz francesa Brigitte Bardot passou uma temporada na península. A homenagem permanece no calçadão com o nome dela, e a vida noturna se concentra em poucas quadras do centro. Para circular, o mar funciona como avenida: barcos e táxis marítimos encurtam trajetos que, por terra, exigiriam contornar a península.
Entre os programas recomendados estão a Praia da Tartaruga, com 2 km de águas calmas onde três espécies de tartarugas marinhas desovam; os táxis marítimos que partem do Píer do Centro e da Praia dos Ossos rumo a João Fernandes e Manguinhos; os passeios de barco diários do Píer da Armação e do Píer do Centro; a Rua das Pedras, com lojas e restaurantes; a Orla Bardot; e o Mirante do Forno, com vista para a areia rosada.
Clima ao longo do ano
As temperaturas são amenas para um destino de praia, com mínimas entre 19°C e 24°C e máximas de 23°C a 28°C. As chuvas se concentram entre novembro e março, e o inverno é o período mais seco, com médias abaixo de 40 mm mensais.
