O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) não cumprirá a promessa de renunciar ao mandato caso seu aliado, Renan Santos, atingisse 3% dos votos válidos na disputa presidencial. O candidato do Missão terminou o pleito com 2,24% dos votos, e o parlamentar já descartou deixar a Câmara dos Deputados.

O compromisso foi anunciado no sábado (3), às vésperas da votação. Na ocasião, Kataguiri lançou um desafio público aos institutos de pesquisa. “Vou lançar um desafio para o Datafolha e para a Quaest. Se domingo a gente tiver 3% [dos votos válidos], eu renuncio meu mandato na frente [do prédio] da Folha”, declarou o deputado.

Apostava nos atos de campanha

Durante a campanha, Renan Santos e seus aliados sustentavam que a quantidade de pessoas presentes nos atos do candidato evidenciava um apoio muito maior do que o apontado pelas pesquisas de intenção de voto. A promessa de renúncia funcionava, nesse contexto, como uma aposta pública contra os números dos levantamentos eleitorais.

A aposta ganhou repercussão por ter sido feita de forma aberta e com local definido: o deputado afirmara que entregaria o mandato em frente ao prédio da Folha de S.Paulo caso o percentual estipulado aparecesse no resultado das urnas. O número, porém, não se confirmou.

O resultado final ficou abaixo da marca combinada. Os 2,24% obtidos pelo candidato do Missão ficaram a menos de um ponto percentual do patamar que, segundo o compromisso assumido, bastariam para a renúncia.

“Ele fez 2%”, ironiza Kataguiri

Procurado pela coluna Painel na noite deste domingo (4), o parlamentar ironizou a situação e confirmou que manterá o cargo. “Eu disse que renunciaria se ele fizesse 3%, e ele fez 2%”, afirmou Kataguiri, que foi reeleito deputado federal no pleito.

O episódio se encerra, portanto, com o deputado mantendo o mandato, apesar do compromisso público assumido dias antes da votação. A declaração havia transformado o desempenho eleitoral do aliado em uma espécie de teste sobre a confiabilidade das pesquisas — teste que, pelos números finais, não atingiu o limite estabelecido pelo próprio parlamentar.