O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta segunda-feira (19) que os dados sobre mudanças de locais de votação entre o primeiro e o segundo turno das eleições 2026 estão sendo atualizados conforme as zonas eleitorais concluem os registros e fazem os ajustes necessários. A declaração veio após divergências nos números divulgados no portal de estatísticas do órgão gerarem confusão.
No sábado (17), o sistema do tribunal apontava alteração em 4.289 seções. No domingo (18), por volta de 12h, o total havia caído para 2.033 e, no fim da noite, chegou a 1.397. Na noite de quarta-feira (21), o número informado era de 343 seções, atingindo 101 mil eleitores. Segundo o TSE, os dados podem mudar até o dia do pleito, marcado para o próximo domingo (25), e o resultado final pode ser o mais baixo da história.
Questionado, o tribunal não explicou a razão da grande variação entre os valores. Limitou-se a dizer que os ajustes são feitos “inclusive para refletir a manutenção, no 2º turno, de locais que haviam sido alterados provisoriamente no 1º”.
Explicação do secretário
Em entrevista à GloboNews, o secretário-geral da Presidência do TSE, Murilo Salmito, esclareceu que a divergência ocorreu porque o sistema do tribunal considerou as alterações de locais do primeiro turno. “Terminado o primeiro turno, o sistema entende que os locais de votação retornam à origem”, afirmou. Ele classificou o episódio como um problema e uma “oportunidade de melhoria”, e reforçou que os números reais de alteração para o segundo turno são “baixíssimos” e os menores da história.
O elevado número divulgado nos dias anteriores havia mobilizado a campanha do presidente Lula (PT), que disputa o segundo turno com Flávio Bolsobaro (PL) em cenário apertado.
O TSE esclareceu que não é responsável pela definição das mudanças de locais de votação. Segundo a nota do órgão, essas decisões são tomadas pelas próprias zonas eleitorais, que conhecem as particularidades de cada localidade, avaliam as condições dos imóveis e observam as normas da Justiça Eleitoral. As alterações ocorrem por motivos logísticos, como problemas climáticos e de infraestrutura dos prédios, e também aconteceram em eleições anteriores.
Números do primeiro turno
No primeiro turno, as zonas eleitorais alteraram 6.588 seções em relação ao registro original, o equivalente a 1,3% do total, conforme análise da Folha com dados de 18h de segunda-feira. Isso significa que 1,9 milhão de eleitores (1,2% do eleitorado) teve o local de votação modificado antes de 4 de outubro.
Cada seção corresponde a uma sala de votação. As seções modificadas estavam distribuídas em 1,7 mil locais de votação de 920 municípios, afetando todas as unidades da federação, exceto o Distrito Federal. O Amapá foi o estado mais impactado em proporção, com 142 das 1.914 seções alteradas (7,4%). Também houve mudanças relevantes no Rio Grande do Norte (4,5%), Sergipe (4,1%), Rondônia (4%) e Roraima (4%).
Segundo a série histórica do TSE, as últimas três eleições nacionais registraram mudanças entre os turnos: em 2022, foram 5.822 seções (1,2%); em 2018, 2.387 (0,5%); e em 2014, 1.759 (0,4%). Não há informação para 2010.
Tribunais e MP agem
Os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) divulgaram nota conjunta nesta segunda afirmando que as mudanças para o segundo turno foram “excepcionais” e representam número menor do que o registrado em 2022. O texto nega qualquer interferência do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e diz que as trocas ocorrem “apenas quando absolutamente necessário”.
O Ministério Público Eleitoral sugeriu ao TSE que notifique os eleitores por WhatsApp ou SMS sobre as mudanças, instale avisos nos prédios que deixaram de receber votantes e disponibilize equipes de orientação no dia da votação.
No domingo (18), a coligação de Lula (PT) pediu ao tribunal providências para ampliar a divulgação das alterações e facilitar o deslocamento dos eleitores. A campanha citou a abstenção de 21,08% no primeiro turno e alertou que a comunicação insuficiente sobre os novos endereços poderia prejudicar o comparecimento às urnas.
Os eleitores podem verificar se houve mudança no local de votação pelo site de autoatendimento eleitoral do TSE ou pelo aplicativo e-Título, disponível para iOS e Android.
