A arrecadação federal chegou a R$ 239,38 bilhões em setembro, com expansão real de 5,62% e nominal de 10,45% frente ao mesmo mês de 2025. O valor é o mais alto já registrado para meses de setembro desde o começo da série histórica.

Os números constam do relatório mensal divulgado pela Receita Federal, ligada ao Ministério da Fazenda.

Das receitas do mês, R$ 231,43 bilhões foram administrados pela própria Receita Federal, com crescimento real de 5,03%. Outros órgãos federais arrecadaram R$ 7,96 bilhões, elevação real de 26,31%.

Acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2026, a arrecadação das receitas federais somou R$ 2,35 trilhões, alta real de 6,97% em relação ao mesmo intervalo de 2025, já descontada a inflação pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Em termos nominais, o avanço foi de 11,68%.

A receita previdenciária acumulou R$ 575,93 bilhões no ano, com crescimento real de 5,16%. Segundo a Receita, o desempenho refletiu o aumento da massa salarial, a expansão da arrecadação previdenciária do Simples Nacional e a reoneração gradual da folha de pagamentos e dos municípios.

A soma dos recolhimentos de IRPJ (Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) alcançou R$ 444,24 bilhões, alta real de 5,76%, impulsionada pelo crescimento dos pagamentos pelo lucro presumido e pela declaração de ajuste, entre outros fatores.

As contribuições Cofins e PIS/Pasep somaram R$ 466,56 bilhões, com elevação real de 4,10%.

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) apresentou uma das maiores altas entre os principais tributos: no acumulado do ano, cresceu 19,49% em termos reais, totalizando R$ 75,75 bilhões. A Receita apontou, entre os motivos, o aumento dos recolhimentos sobre operações de câmbio, em meio a alterações na legislação iniciadas em junho de 2025.

O IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) sobre rendimentos de capital totalizou R$ 131,15 bilhões, avanço real de 17,57%, influenciado pelo crescimento dos recolhimentos sobre aplicações de renda fixa e juros sobre capital próprio.

Petróleo impulsiona arrecadação

Entre os setores da economia, a extração de petróleo e gás natural teve o maior crescimento percentual no acumulado de janeiro a setembro. A arrecadação do segmento chegou a R$ 106,05 bilhões, alta real de 510,60% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi influenciado pelo Imposto de Exportação sobre óleo bruto de petróleo, criado pela Medida Provisória 1.340 de 2026.

As entidades financeiras arrecadaram R$ 282,22 bilhões, crescimento real de 7,90%. O comércio atacadista somou R$ 151,85 bilhões, alta de 8,12%, enquanto a fabricação de veículos automotores registrou R$ 53,17 bilhões, avanço de 12,09%.

O setor de jogos de azar e apostas recolheu R$ 11,12 bilhões, expansão real de 55,10%. Já os serviços de informação arrecadaram R$ 30,72 bilhões, elevação de 26,45%.

No total dos setores discriminados pela Receita Federal, a arrecadação alcançou R$ 1,71 trilhão, com crescimento real de 7,49%. Os dados por atividade econômica não incluem as receitas previdenciárias.

Arrecadação ajustada

Descontados pagamentos atípicos e efeitos de mudanças na legislação, a arrecadação das receitas administradas pela Receita Federal somou R$ 2,26 trilhões de janeiro a setembro, com alta real de 5,77%.

O cálculo considera R$ 23,87 bilhões em fatores não recorrentes: R$ 11 bilhões referentes a pagamentos atípicos de IRPJ e CSLL e R$ 12,87 bilhões ao Imposto de Exportação sobre óleo bruto de petróleo.

Em setembro, a arrecadação ajustada ficou em R$ 228,48 bilhões, com crescimento real de 3,69% na comparação anual.