A saúde mental ocupa espaço crescente nos quadrinhos contemporâneos. Obras recentes têm usado a linguagem dos graphic novels para tratar do tema, ampliando a compreensão sobre as diferentes reações do corpo às experiências vividas ao longo da vida. Entre relatos autobiográficos, guias ilustrados e memórias históricas, cinco títulos abordam o assunto sob lentes variadas, do trauma coletivo à descoberta de um diagnóstico e à autoaceitação.

Aqui estou, como sou

Publicado pela Latitude, o livro de Cara Bean funciona como um guia ilustrado e acolhedor que desmistifica o funcionamento do cérebro humano. Com linguagem leve e acessível, a autora discute ansiedade, depressão, estigma e a busca por ajuda, criando um espaço seguro para que jovens e adultos compreendam suas emoções e pratiquem o autocuidado.

Azar do Amor

Na autobiografia lançada pela Büzz, a quadrinista francesa Sophie Lambda une sensibilidade e humor ácido para expor os mecanismos de um relacionamento tóxico. Ao contar como sobreviveu a um parceiro narcisista e manipulador, ela detalha o impacto psicológico do abuso emocional e o doloroso caminho de reconstrução da própria sanidade.

Cara ou coroa

Também editado pela Büzz, o trabalho de Lou Lubie nasce depois de anos de oscilações emocionais imprevisíveis, até a autora descobrir que convive com a ciclotimia, distúrbio da família do transtorno bipolar. Na história, a condição ganha a forma de uma pequena raposa selvagem, e a combinação entre vivência pessoal e divulgação científica mostra como é possível manter o equilíbrio após o diagnóstico.

Dormindo entre Cadáveres

Com força documental e traço expressivo em preto e branco, Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci narram pela Comix Zone a odisseia real de um médico português na Amazônia durante o colapso da Covid-19. Entre a falta de oxigênio e a exaustão extrema, a HQ expõe o limite psicológico de quem atuou na linha de frente da pandemia. A obra concorre ao Prêmio Jabuti na sua categoria.

Raízes

Publicado pela Nemo, o graphic novel de Lou Lubie parte do dilema da protagonista Rose com os próprios cabelos crespos para mesclar autobiografia, ciência e crítica social. A narrativa investiga o peso do racismo estrutural e da herança colonial na saúde mental e revela a complexa jornada em busca de identidade e autoestima.

De guias educativos a memórias de guerra sanitária, as cinco obras mostram como os quadrinhos podem funcionar como instrumento de informação, empatia e cuidado com a saúde mental.