A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), aposta no último debate presidencial, agendado para a sexta-feira, 23, na TV Globo, como ocasião para o presidente Lula (PT) reforçar a “virada” que aliados afirmam perceber na reta final do segundo turno.

Segundo a senadora, o confronto será decisivo porque reúne grande audiência em um momento em que muitos eleitores ainda não definiram o voto.

Estratégia petista

Outros parlamentares do PT defendem que o candidato combine a exposição de realizações e propostas com ataques e respostas a Flávio Bolsonaro (PL).

“O debate é o momento de maior audiência da reta final e muita gente ainda está decidindo”, afirmou Teresa. Para ela, Lula é “o único que tem o que mostrar”, citando emprego, renda, comida na mesa, programas sociais de volta, melhoras no SUS e planos para o país seguir crescendo. “Acredito que o debate pode ser decisivo para consolidar de vez a nossa virada”, completou.

A avaliação veio após a pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira, 21, apontar Flávio com 45% das intenções de voto e Lula com 44% — empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais. Na espontânea, os dois aparecem com 40%.

“Nós vamos virar”

O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) também projetou expectativa no debate. Ao comentar o levantamento e a reta final, disse que o resultado anima os aliados e que a disputa está “pau a pau”. “Nós vamos virar, estamos virando”, declarou.

Para Alencar, o encontro na Globo servirá para expor o adversário. “O debate da Globo vai ser mais um momento para demonstrar o quanto que o Flávio é mentiroso e despreparado, além de arrogante. E que o presidente Lula ainda é o melhor para o Brasil”, afirmou. Na avaliação dele, além das pesquisas, a mobilização nas ruas e nas redes sociais será determinante nos últimos dias da disputa.

Cuidado com os cortes

O deputado Nilto Tatto (PT-SP) defende estratégia semelhante, mas chama atenção para a repercussão digital do confronto. Segundo ele, Lula deve se preparar para a possibilidade de Flávio buscar momentos específicos do embate para transformá-los em vídeos curtos. “O Lula precisa ficar mais atento de que o Flávio vai lá só para fazer cortes para depois jogar nas redes sociais”, disse.

Tatto considera que o presidente não pode deixar acusações do adversário sem resposta e deve cobrar, “principalmente no campo da ética, a história do Flávio Bolsonaro”. Ele citou como referência o debate da Band, no domingo, 18, quando parte das acusações levou eleitores a buscar informações sobre os temas discutidos. “Ao mesmo tempo que ataca, que provoca, também tem que divulgar o programa de governo e dizer o que vai fazer”, orientou.

O deputado acrescenta que a campanha pode explorar ainda o receio de parte do eleitorado com a volta da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Na Quaest, 44% dos entrevistados disseram temer mais o retorno da família ao poder, contra 42% que apontaram maior temor de uma nova reeleição de Lula.

O debate da Globo será o último entre os dois candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo, 25. O encontro ocorre nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, com início previsto para as 21h20.