O plano digital do Partido dos Trabalhadores (PT) adota uma divisão clara de papéis na disputa pela comunicação política nas redes sociais. A estratégia concentra a exaltação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no chamado exército de zap comandado pelo deputado federal Emerson Janones (PT-MG), enquanto os ataques ao senador Flávio Bolsonaro ficam sob responsabilidade de pequenos e médios influencers.

Divisão de tarefas na estratégia petista

Segundo o documento que detalha a atuação digital da legenda, o núcleo da mensagem positiva fica com a estrutura de mensageria organizada por Janones. A rede de WhatsApp, conhecida internamente como exército de zap, é o principal canal para difundir conteúdo favorável ao governo Lula, com foco na valorização da gestão petista.

Já o desgaste de adversários, em especial do senador Flávio Bolsonaro, segue um caminho diferente. A tarefa de produzir e amplificar críticas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é atribuída a perfis de menor porte, os chamados pequenos e médios influencers, que atuam como multiplicadores de conteúdo sem o peso institucional das figuras principais do partido.

Por que separar elogios e ataques

A lógica por trás dessa separação é manter a imagem de Lula associada a mensagens de governo e de resultados, preservando o presidente do confronto direto com opositores. O desgaste dos adversários, por sua vez, é terceirizado para criadores de conteúdo com alcance menor, mas com capacidade de alcançar nichos específicos de eleitores em diferentes plataformas.

O modelo acompanha uma tendência consolidada na comunicação política brasileira, em que partidos e campanhas passaram a combinar estruturas próprias de mensageria, como grupos organizados de WhatsApp, com uma malha mais difusa de apoiadores digitais que replicam pautas e narrativas.

No caso do PT, a operação de Janones ganhou destaque como um dos principais motores de disseminação de conteúdo favorável ao governo nas conversas de WhatsApp, ambiente considerado decisivo para a formação de opinião, por circular em redes de confiança entre familiares, amigos e colegas de trabalho.

A estratégia reforça, assim, dois fronts simultâneos: a promoção da imagem de Lula como centro da narrativa petista e o combate a nomes da oposição, caso de Flávio Bolsonaro, conduzido de forma pulverizada por influenciadores digitais de médio e pequeno porte.