A pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta quinta-feira, 22, aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na reta final do segundo turno. A três dias da eleição, o filho de Jair Bolsonaro registra 51% das intenções de voto, contra 49% do petista, considerando apenas os votos válidos.

Como a margem de erro é de 1,6 ponto percentual, para mais ou para menos, os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados.

O levantamento ouviu 4 mil eleitores por telefone entre os dias 19 e 20 de outubro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07926/2026.

Movimento na disputa

O novo resultado indica uma aproximação em relação à pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira, 19. Naquela ocasião, o senador do PL liderava com quatro pontos de vantagem (52% a 48%) nos votos válidos.

A rodada da semana passada captou parte do impacto da entrevista da lobista Roberta Luchsinger. Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ela chamou Lula de mentiroso e falou em fazer uma delação premiada. O levantamento, porém, não registrou o efeito do debate da Band, marcado por trocas de ataques entre os dois candidatos, realizado na noite de domingo, 18.

Desta vez, segundo o instituto, além do debate e da entrevista de Roberta Luchsinger, a sondagem captou a onda de propagandas negativas de Lula contra Flávio nas redes sociais e o disparo de mensagens em massa do governo federal, via WhatsApp, destinadas a beneficiários de programas sociais.

Desafio da reta final

A disputa entrou na fase final com as campanhas diante de um desafio que vai além da conquista de novos votos: mobilizar as próprias bases, reduzir resistências e convencer eleitores que ainda não se identificam integralmente com nenhuma das duas candidaturas.

Na avaliação do cientista político Emerson Saraiva, os últimos dias do segundo turno serão marcados pela disputa por engajamento, pela exploração das vulnerabilidades dos adversários e pela tentativa de transformar apoios políticos e presença nas ruas em votos nas urnas.

“A palavra-chave na última semana da campanha eleitoral será mobilização. Ambos precisam investir nessa área, mas as perspectivas das campanhas são bem diferentes neste momento”, avaliou.

Segundo Saraiva, Lula precisa demonstrar capacidade de reorganização política diante do resultado do primeiro turno. Flávio, por sua vez, enfrenta o desafio de manter seus apoiadores mobilizados até o dia da votação, sem que uma eventual percepção de vantagem reduza o engajamento da campanha.

Com o cenário de equilíbrio, as duas campanhas seguem concentradas na mobilização do eleitorado até a votação.