O presidente russo, Vladimir Putin, aceitou retomar as negociações com a Ucrânia e com os Estados Unidos em novembro, em um movimento que devolve o conflito ao centro da agenda diplomática internacional. A reabertura do canal de conversas, contudo, longe de sinalizar consenso imediato, reacendeu as dúvidas sobre a real possibilidade de um acordo de paz capaz de encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022.

A decisão de voltar à mesa foi recebida com cautela, já que tentativas anteriores de mediação não conseguiram converter anúncios de diálogo em cessar-fogo duradouro. Os pontos de atrito entre as partes permanecem praticamente intocados, e a desconfiança acumulada ao longo dos anos de guerra pesa sobre qualquer iniciativa diplomática.

Territórios no centro do impasse

O principal obstáculo às tratativas está na questão territorial. Desde o início da invasão em grande escala, a Rússia passou a reivindicar o controle de áreas ucranianas, enquanto a Ucrânia trata a defesa de sua integridade soberana como condição inegociável. Essa divergência, até agora, impediu que propostas de cessar-fogo avançassem para um arranjo definitivo.

Sem um entendimento sobre o desenho das fronteiras, qualquer negociação tende a esbarrar na mesma resistência. A distância entre as posições é apontada como uma das maiores barreiras ao entendimento, e cada rodada de conversas termina sem que esse ponto central seja equacionado.

Garantias de segurança em aberto

O segundo ponto sensível envolve as garantias de segurança. A Ucrânia busca compromissos internacionais capazes de impedir novas agressões no futuro, mas a definição do formato dessas garantias — quem as ofereceria, sob quais condições e com quais mecanismos de verificação — permanece em aberto e alimenta a desconfiança entre os envolvidos.

A ausência de um desenho aceito por todas as partes faz com que o tema funcione como uma segunda trava para o acordo. Mesmo que a questão territorial fosse superada, a falta de clareza sobre como o país seria protegido contra novas hostilidades manteria o entendimento em suspenso.

Teste para a diplomacia

Os Estados Unidos entram no processo como interlocutores centrais. O envolvimento norte-americano é considerado decisivo para dar peso e viabilidade a qualquer arranjo, já que o apoio militar, financeiro e diplomático ao governo ucraniano depende, em grande medida, da postura de Washington.

A retomada das conversas em novembro representa, na prática, um teste para a diplomacia internacional. A volta ao diálogo indica que existe, ao menos formalmente, disposição para negociar, mas os obstáculos estruturais seguem intocados. Enquanto territórios e garantias de segurança não forem enfrentados de frente, a perspectiva de um acordo de paz deve permanecer cercada de incerteza.