Militares que integravam o círculo de Jair Bolsonaro (PL) e não foram condenados na trama golpista demonstram incômodo com a margem que receberam na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Segundo o grupo, apenas dois generais da reserva participam do entorno do presidenciável: Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde demitido no auge da pandemia e reeleito deputado federal, e Eliéser Girão (PL-RN), também reeleito.

Pazuello passou a ser apontado como nome para um eventual governo Flávio. Sobre a cogitação de que comandaria a Petrobras, o deputado afirmou que a sugestão parte do próprio setor: “Como presidente da frente parlamentar em apoio ao petróleo, tenho ido a todos os eventos do setor nos últimos quatro anos”, declarou.

Anistia para “todos os lados”

No campo político, o general da reserva defende um perdão amplo após a tentativa de golpe que levou à prisão de Bolsonaro, de quatro generais de quatro estrelas do Exército e da Marinha, de outros oficiais, de civis do governo e de grupos que depredaram o STF, o Congresso e o Planalto.

Para Pazuello, a anistia deve alcançar os golpistas e também “quem prendeu” — referência ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo. “O Congresso vai votar a anistia a todos os presos políticos. E a anistia tem de ser para todos os lados, inclusive para quem prendeu. Foi assim que resolvemos lá atrás”, afirmou.

A fala remete à Lei de Anistia de 1979, sancionada por João Baptista Figueiredo, último militar a presidir o país na ditadura de 1964 a 1985. A norma perdoou militares que atuaram na repressão e permitiu o retorno ao Brasil de 5.000 exilados políticos. Segundo Pazuello, na época foram anistiados “todos os comunistas que mataram, e os que torturaram”.

“Não existe isso de general defender só um lado. Nós somos irmãos, não somos inimigos”, disse o deputado, que criticou o “pingue-pongue” político, afirmou que “o lado que prendeu cometeu atrocidades” e defendeu que “se passe a régua em tudo isso”.

O parlamentar não detalha, porém, o que seria a anistia ao “outro lado” e evita citar nomes. Segundo ele, a medida não abrangeria um impeachment de ministro do STF, que estaria fora da esfera criminal. Na bancada do PL no Senado, Moraes é tratado como o primeiro da fila, ainda mais com o resultado das urnas no domingo.

Pazuello também citou a Venezuela. Após a captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro, comandada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a atual líder, Delcy Rodríguez, passou a conviver com influência norte-americana, inclusive no setor de petróleo e na possível definição de data para eleição presidencial. “Ela está pacificando o país. Ela soltou todos os presos políticos e está arrumando o país”, disse o general.

A proposta já havia sido defendida por Flávio, antes de ser anunciado candidato, em entrevista de 2025: “A anistia é a saída honrosa para todo mundo. Para o Supremo, para o Alexandre de Moraes e para o Congresso”, declarou na ocasião.

Pazuello avaliou que a eleição de senadores “pode já significar uma pacificação”. O PL elegeu 19 senadores e se tornou a maior bancada do Senado, com 28 parlamentares. A partir de 2027, a Casa terá ao menos 50 congressistas que defendem o afastamento de um ministro do STF — medida inédita, que depende de 54 votos.

O deputado visitou na prisão o general Walter Braga Netto, na 1ª Divisão do Exército, no Rio. Condenado por tentativa de golpe de Estado, Braga Netto foi ministro da Casa Civil, ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro. Outros generais de quatro estrelas seguem presos.