Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) começam a discutir, em conversas reservadas, como seria a montagem de um eventual governo do senador. O debate envolve quais nomes de confiança ocupariam postos estratégicos e como os interesses políticos seriam acomodados em uma possível administração.

Justiça e Senado no centro da articulação

Um dos pontos mais sensíveis do tabuleiro envolve o Ministério da Justiça e uma possível cadeira no Senado. O deputado Guilherme Derrite aparece como nome favorito para comandar a pasta. Na semana passada, ao Estúdio i, ele negou ter recebido convite ou participado de qualquer conversa sobre o assunto.

Entre aliados, porém, a ida de Derrite ao Executivo é tratada como praticamente certa em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Essa movimentação abriria caminho para Vicente Santini, suplente do deputado, assumir a vaga no Senado. A articulação considera ainda os vínculos históricos da família Santini com o ex-presidente Jair Bolsonaro, além da trajetória de Santini no governo anterior e da relação de seu pai com o ex-presidente.

Economia reúne nomes do governo anterior e do mercado

Na área econômica, o mapa de possíveis indicados mistura rostos conhecidos do governo Jair Bolsonaro e nomes próximos ao mercado financeiro. Entre as possibilidades citadas para o Ministério da Fazenda estão o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, Alexandre Betamio, Marcelo Kayath e Adolfo Sachsida, que comandou o Ministério de Minas e Energia.

Articulação política é apontada como decisiva

Outro eixo considerado fundamental é o da articulação política, visto como peça-chave para garantir sustentação a um eventual governo. Nesse campo, aparecem Wagner Rosário, que foi ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), e o senador Eduardo Gomes, que atuou como líder do governo Bolsonaro no Congresso. Ambos são mencionados nas conversas sobre a Casa Civil e a interlocução com o Legislativo.

Os movimentos nos bastidores mostram que a campanha já trabalha com cenários de vitória, distribuindo nomes e pastas antes mesmo da definição do quadro eleitoral.