Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nas eleições de 2026. Vereadora de Praia Grande, a jovem parlamentar alcançou 1.956.205 votos com 99,9% das urnas apuradas e superou com folga nomes tradicionais da política paulista.

A marca é a segunda maior da história do estado. O recorde segue com a advogada Janaína Paschoal, hoje vereadora na capital paulista pelo PP, que obteve cerca de 2 milhões de votos em 2018.

Trajetória

Nascida em Campinas em 22 de julho de 2003, Eduarda é influenciadora digital e estreou na política eleitoral em 2024, quando foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.583 votos. Ao tomar posse aos 21 anos, tornou-se a parlamentar mais jovem da história recente da Câmara Municipal da cidade.

A deputada eleita construiu a campanha estadual com forte apoio na comunicação digital. Seus conteúdos foram direcionados principalmente ao eleitorado conservador, com defesa da família tradicional, da vida desde a concepção e da presença de princípios cristãos na política. Também se posicionou contra pautas progressistas, o feminismo contemporâneo e o que classifica como “cultura woke”.

Posicionamentos

Na área da segurança pública, defendeu o direito ao porte de armas de fogo e argumentou que a medida pode ampliar a proteção das mulheres contra a violência. Nos temas sociais e econômicos, manifestou-se contra políticas de cotas raciais e contra iniciativas que buscam reconhecer formalmente a prostituição como profissão.

Polêmica sobre a colonização

Meses antes da eleição, declarações de Campopiano sobre a colonização do Brasil ganharam projeção nacional. Em um podcast, a então vereadora afirmou que agradecia a Deus pela chegada dos colonizadores ao país e associou povos indígenas a práticas como canibalismo e sacrifícios.

“Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias”, declarou no debate promovido pelo RedCast. Em seguida, afirmou que a colonização teria interrompido práticas que atribuiu aos povos indígenas: “Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘Galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…’”.

A controvérsia levou a artista e liderança indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência por preconceito de raça ou cor. Segundo o registro policial, ela afirmou que as declarações ofenderam a cultura, a história e os povos indígenas.

Campanha e financiamento

Dados da Justiça Eleitoral mostram que Eduarda declarou ocupação de vereadora, ensino médio completo e não informou bens. Sua campanha para deputada estadual arrecadou cerca de R$ 755 mil, dos quais mais de 90% vieram do diretório nacional do PL. A maior parte dos gastos foi destinada ao impulsionamento de conteúdo na internet.

Nova geração conservadora

A ascensão da parlamentar ocorreu em sintonia com o crescimento de uma nova geração de políticos conservadores que ganharam espaço por meio das redes sociais. Entre seus maiores apoiadores esteve o candidato a deputado federal Lucas Pavanato (PL), com quem fez dobradinha na campanha. Pavanato também liderou a votação e se tornou o deputado federal mais votado da história do estado de São Paulo.