A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou no fim da tarde desta quarta-feira, 21, que aceita a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-assessor do gabinete presidencial afastado no início da disputa eleitoral. A exigência havia sido colocada pela campanha de Flávio Bolsonaro como condição para que o senador também levantasse seus próprios sigilos.

Em resposta, o petista protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de quebra dos sigilos bancário e telefônico dele próprio, de seus filhos — entre eles Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha — e da primeira-dama, Janja Lula da Silva. O movimento foi feito como um desafio a Flávio, seu rival na disputa, para que adotasse a mesma medida.

Reciprocidade exigida

O aceite foi confirmado pelo coordenador da campanha petista, o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana. Segundo ele, o presidente não se opõe a nada do que Flávio propõe, desde que o senador também cumpra sua parte e abra tudo o que foi protocolado no TSE.

“O presidente não se opõe a absolutamente nada do que ele (Flávio) está propondo, contanto que ele também cumpra e abra tudo o que o presidente protocolou no TSE”, declarou Camilo Santana durante coletiva de imprensa.

O coordenador afirmou ainda que, às 11h desta quinta-feira, 22, a campanha cumprirá a exigência feita por Flávio Bolsonaro e lançou um novo desafio: que o senador abra seus sigilos até esse mesmo horário.

Quem é Marcola

Marcola atuava como assessor do gabinete presidencial e foi afastado no começo da campanha após suspeitas de que teria recebido dinheiro e benefícios da lobista Roberta Luchsinger. Ela é amiga pessoal de Lulinha e afirmou, em entrevista no último final de semana, que teve acesso a ministros do atual governo utilizando essa credencial.

Cenário na reta final

A quatro dias do segundo turno das eleições, Lula se aproximou de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, mas segue numericamente atrás do senador. Segundo levantamento do instituto Quaest divulgado nesta quarta, Flávio aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% do presidente — resultado que configura empate técnico, dentro da margem de erro.