Congresso terá 51 eleitos ligados à segurança

A Câmara dos Deputados contará com ao menos 42 parlamentares vindos das forças de segurança na próxima legislatura, que vai de 2027 a 2030. No Senado, serão no mínimo nove nomes dessa origem, somando pelo menos 51 congressistas eleitos no domingo (4). Os números constam de levantamento que cruzou as ocupações declaradas pelos candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com a lista dos eleitos e com informações de pleitos anteriores.

O recorte abrange policiais militares e civis, integrantes das forças armadas, bombeiros militares e militares reformados.

Leve queda na Câmara, salto no Senado

O resultado representa leve recuo na Câmara frente a 2022, quando 44 candidatos ligados a corporações venceram a disputa. Ao menos 29 dos 42 eleitos já ocupavam cadeira no Congresso e foram reconduzidos, como Capitão Augusto (PL-SP), Sargento Fahur (PL-PR) e General Girão (PL-RN). Dois retornam após derrotas em eleições anteriores: Subtenente Gonzaga (PL-MG) e Delegado Francischini (PL-PR). Outros dez estreiam na Casa, entre eles os vereadores Sargento Nantes (PL-SP), de São Paulo, e Sargento Salazar (PL-AM), de Manaus. Completam a relação o ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Coronel Roveri (PL-MT), e o ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi.

No Senado, o avanço é expressivo: ao menos nove eleitos vêm da segurança, contra dois na eleição passada, segundo o Instituto Sou da Paz. O destaque é o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), que obteve 13,2 milhões de votos e se tornou o senador mais votado da história do Brasil em números absolutos. Na sequência aparecem Ubiratan Sanderson (PL-RS), policial federal, e Styvenson Valentim (Podemos-RN), policial militar.

O crescimento se explica pela dinâmica do pleito, que renovou dois terços do Senado; em 2022, a renovação atingiu apenas um terço da Casa.

Menos candidaturas do setor

Entre deputados estaduais, 27 eleitos declararam ao TSE pertencer a alguma força de segurança, mas o total tende a ser maior, já que parte dos reeleitos registra a profissão atual como ‘deputado’, ‘deputada’ ou ‘outros’.

A quase estabilidade na Câmara e o aumento no Senado ocorrem apesar da queda de candidaturas do ramo: o TSE registrou 919 candidaturas em 2026 para deputado federal, estadual ou distrital e senador, ante 1.425 em 2022.

Peso conservador na próxima legislatura

O desenho do Senado a partir de fevereiro indica maior influência da ala conservadora sobre a pauta do Congresso e sobre as indicações do próximo presidente da República para cargos como ministros do Supremo e de outros tribunais superiores — seja Lula (PT), seja Flávio Bolsonaro (PL) o titular do Planalto. Na Câmara, dois dos mais votados, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), integram ala alinhada à direita.