Um manifesto assinado por 47 bispos católicos de 19 estados brasileiros foi publicado nesta quinta-feira (22) sobre o segundo turno da disputa presidencial de 2026. O documento alerta para riscos apontados pelos religiosos em relação ao momento político do país.
“O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI [Doutrina Social da Igreja], a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”, diz um trecho da carta.
Quem assina o documento
O texto, intitulado “Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026”, reúne assinaturas de 47 bispos, arcebispos e bispos eméritos ligados a dioceses e arquidioceses de diferentes regiões do Brasil.
De acordo com números divulgados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em outubro de 2026, o episcopado nacional é formado por 498 bispos, sendo 325 em atividade e 173 eméritos. Com isso, os 47 religiosos que assinam a carta correspondem a cerca de 9,4% do total de bispos do país, contando também os eméritos.
O que diz o texto
A manifestação não cita nominalmente o presidente Lula (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL), os dois nomes que seguem na disputa pelo Palácio do Planalto no segundo turno.
Ainda assim, o documento faz alusões ao governo de um dos pais dos candidatos. Ao tratar do tema do acesso a armas de fogo, por exemplo, os bispos escrevem que “um dos candidatos promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu Governo”.
A carta não traz, no trecho divulgado, menções diretas a propostas ou nomes além dessas referências indiretas, mas os religiosos sustentam a avaliação de que a conjuntura eleitoral atual coloca em risco pontos centrais da Doutrina Social da Igreja, além da democracia e da soberania nacional.
Contexto
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 coloca frente a frente o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A carta dos bispos surge em meio à reta final da campanha, quando manifestações de setores religiosos costumam ganhar repercussão no debate público.
Apesar de a Igreja Católica não ter posição oficial na disputa, documentos assinados por grupos de bispos circulam em períodos eleitorais como forma de orientar fiéis sobre temas considerados centrais pela Doutrina Social da Igreja, como democracia, bem comum e paz social.
O documento completo segue disponível para leitura e já repercute entre circulos católicos e no debate político do país às vésperas da decisão do segundo turno.