A alteração de endereços de votação para o 2º turno das eleições gerais dificilmente mudará o desfecho da disputa. A avaliação consta do relatório Macroeconomic Research do BTG Pactual, divulgado na terça-feira (20.out.2026).
Quem é atingido pelas trocas
O levantamento examinou 1.792 urnas cujo endereço foi modificado para a votação de 25 de outubro. No total, 528 mil eleitores aptos são alcançados pelas mudanças — 421 mil deles compareceram no 1º turno. A abstenção nessas seções ficou em 20,4%.
Como contexto, o Tribunal Superior Eleitoral anunciou na mesma terça-feira (20.out) que 453 locais de votação sofrerão ajustes entre os turnos. De acordo com a Corte, os motivos apontados são reformas de última hora, adequações de acessibilidade em prédios públicos e chuvas fortes.
Nas seções deslocadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 50,3% dos votos válidos no 1º turno, contra 43,1% do senador Flávio Bolsonaro (PL) e 6,6% para os demais concorrentes. O saldo favorece o petista em 29.159 votos. A explicação está no mapa eleitoral: 47% do eleitorado atingido pelas trocas está no Nordeste e 17% no Norte.
Por que o efeito seria pequeno
Segundo o estudo, 3 elementos limitam a influência das mudanças sobre o resultado: o tamanho reduzido do público atingido em relação ao eleitorado nacional; a curta distância entre os antigos e os novos endereços — em 67% dos casos, menos de 600 metros; em 90%, no máximo 1,4 km; e o fato de que uma eventual alta da abstenção atinge eleitores dos 2 candidatos, sem favorecer nem prejudicar exclusivamente um dos lados.
Na simulação do banco, um avanço de 5 pontos percentuais na ausência nessas seções cortaria cerca de 12.700 votos de Lula e 10.900 de Flávio — saldo de 1.800 votos mais desfavorável ao petista. Já em um cenário apontado como improvável pelo estudo, com salto de 20 pontos percentuais na abstenção, 106 mil eleitores a mais ficariam fora das urnas. Mesmo assim, a diferença no total de votos entre os candidatos seria de apenas 7.000.
O impacto seria modesto diante da vantagem de 2.224.965 votos construída por Flávio no 1º turno, em 4 de outubro: 56.104.503 votos válidos, contra 53.879.538 de Lula.
Reta final da campanha
A 2 dias do 2º turno, marcado para domingo (25.out), os presidenciáveis correm para atrair eleitores ainda indecisos e garantir a presença de seus apoiadores nas urnas. Até agora, Flávio investiu R$ 74,6 milhões na campanha; Lula, R$ 65,7 milhões.
O senador concentra suas apostas no marketing digital para cativar eleitores e engajar apoiadores do bolsonarismo. O presidente, por sua vez, recorre à máquina pública em favor da candidatura: antecipou, com reajuste, o pagamento do Bolsa Família às vésperas da votação e divulga ações do governo por aplicativos de mensagens.
Os volumes milionários investidos, contudo, não asseguram a vitória. O desfecho dependerá da transferência dos votos dados aos candidatos derrotados, do retorno de quem faltou à primeira votação e da capacidade de cada nome em manter a própria base mobilizada.
Nesse quadro, uma variação da abstenção — causada ou não pelas trocas de locais — dificilmente bastaria, isoladamente, para mudar o desfecho da disputa entre Lula e Flávio. Isso exigiria um salto recorde de comparecimento justamente no turno em que a ausência costuma ser maior, sobretudo nos Estados onde a corrida pelo governo foi decidida no 1º, como mostrou o Poder360.