A saída das tropas dos Estados Unidos do Iraque deixa o país diante de um cenário paradoxal: existe um governo formalmente constituído, mas falta uma estrutura estatal capaz de operar. A avaliação é da especialista Stephanie Brito, que analisa as consequências da passagem norte-americana pelo território iraquiano.

Segundo Brito, a presença dos EUA resultou na destruição do país, e a retirada das forças estrangeiras ocorreu sem que os objetivos que justificaram a invasão fossem cumpridos. O resultado, na leitura da especialista, é um Estado esvaziado, mantido apenas no papel.

Governo sem Estado

Para a especialista, a distinção entre governo e Estado é central para compreender o momento do Iraque. Um governo pode existir no plano formal, com cargos ocupados e instituições oficiais registradas no papel, mas isso não garante que a administração pública chegue, de fato, à população.

Na avaliação de Brito, é esse contraste que marca a situação atual do território: há uma estrutura de poder nominal, mas sem a base institucional que daria sustentação a um Estado operante. A destruição provocada ao longo da intervenção militar teria deixado marcas profundas justamente nessa base.

Invasão terminou sem cumprir objetivos

A especialista ressalta que os Estados Unidos encerraram sua presença no país sem cumprir os objetivos declarados quando da invasão. Ou seja, a operação militar terminou com o território devastado e sem que as metas apresentadas à época tivessem sido alcançadas.

Essa combinação — destruição provocada no território e saída sem resultados — ajuda a explicar, segundo a análise, por que o Iraque segue enfrentando dificuldades para se reerguer. O país permanece com as aparências de um Estado moderno, mas sem a realidade de um Estado que funcione.

O quadro descrito por Brito aponta para um desafio de longo prazo: reconstruir, a partir de um governo formal, as estruturas de um Estado capaz de atender às necessidades da população iraquiana — tarefa que, segundo a especialista, foi abandonada pelos norte-americanos ao deixarem o território.