O PSB e o PDT decidiram apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. A movimentação é vista como uma resposta à possibilidade de o PL assumir o comando da Casa a partir de 2027, após o bom desempenho do bolsonarismo nas eleições.
O acordo do PSB foi selado em reunião realizada na tarde desta quarta-feira (21). O PDT, por sua vez, já havia fechado questão na semana anterior. Com isso, as duas legendas se tornam os primeiros partidos mais à esquerda a declarar apoio formal à continuidade de Motta no cargo.
Motivação do apoio
Em nota conjunta divulgada nesta quarta, os partidos destacaram avanços atribuídos à gestão do parlamentar paraibano. Entre os pontos citados estão o fim da escala 6×1, a aprovação da reforma tributária e medidas voltadas aos Microempreendedores Individuais (MEIs).
“Nesse contexto, os dois partidos reconhecem a importância de dar continuidade à construção de uma agenda legislativa comprometida com os direitos dos trabalhadores, a redução das desigualdades e o desenvolvimento do Brasil”, afirma um trecho do documento.
O movimento se soma ao bloco de dez partidos do centrão que declarou apoio a Motta logo após o segundo turno das eleições. A articulação também funciona como um contrapeso ao avanço do bolsonarismo na Câmara.
Pressão dentro do PT
Segundo informações do colunista, petistas começaram a defender a reeleição do atual presidente da Câmara e pressionam o PT para que a legenda também declare apoio formal a Hugo Motta. A expectativa é que o posicionamento dos aliados ajude a consolidar um bloco de sustentação ao nome em fevereiro.
Disputa pela presidência da Casa
A eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados está marcada para 1º de fevereiro. No primeiro turno das eleições, o PL elegeu 121 deputados federais e já se articula para garantir a presidência tanto da Câmara quanto do Senado.
Em entrevista à Folha, a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) confirmou a pretensão do partido e afirmou não estar preocupada com a eventual concentração de poder, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente da República.
A corrida pela liderança das duas casas do Congresso Nacional deve se intensificar nas próximas semanas, com a definição dos apoios partidários sendo um dos principais termômetros da disputa.
