Flávio Bolsonaro avança na direita e no centrão; Lula mira abstenções
Um dia após liderar o primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo (4), o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, passou a receber uma sequência de sinais de apoio da direita e do centrão. A estratégia do grupo é reforçar a mobilização da própria base com nomes eleitos do partido.
O rival, o presidente Lula (PT), reuniu aliados nesta segunda-feira (5) para reorganizar a campanha. O objetivo traçado pelo petista para o segundo turno é atrair os eleitores que ficaram em casa — a abstenção foi recorde, com mais de 33 milhões de pessoas — e ampliar a rejeição ao adversário, em busca de uma virada inédita na história.
Pressionado pelo resultado desfavorável, Lula também endureceu as críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), afirmando que carrega na campanha a “promiscuidade” da corte.
Apoios ao candidato do PL
Flávio já recebeu o respaldo de Romeu Zema (Novo) e deve contar com a adesão de Ronaldo Caiado (PSD) em encontro marcado para esta terça-feira (6), em Goiânia, apesar de o partido se declarar neutro na disputa. O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou um vídeo de apoio, e expoentes do centrão aproveitaram o bom desempenho da direita nas urnas para se aproximar do candidato.
Em Brasília, o senador recebeu o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como um dos principais cabos eleitorais e com quem deverá percorrer o país. “Vamos ajudar a organizar os eventos e estruturar o estado para receber o Flávio no maior colégio eleitoral do Brasil”, declarou Tarcísio à CNN Brasil.
A federação formada por União Brasil e PP reuniu-se nesta terça, em Brasília, com as bancadas eleitas de deputados e senadores. Os dois partidos sinalizaram apoio nacional a Flávio, tolerando, porém, a ligação de parte dos diretórios estaduais com Lula. O presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), que não se reelegeu, defendeu “apoio total e irrestrito” ao candidato do PL: “Votei no Flávio, tenho uma lealdade enorme ao presidente Bolsonaro”, disse à TV Cidade Verde.
A campanha espera ainda consolidar o embarque do Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira (SP), e a adesão de outras legendas do centrão na mesma linha.
Estratégia de campanha
A equipe de Flávio realizou reuniões com as áreas de comunicação e jurídica, com participação do coordenador-geral, senador Rogério Marinho (PL-RN), do marqueteiro Duda Lima e dos conselheiros econômicos Daniella Marques e Adolfo Sachsida. Marinho afirmou que a meta da primeira semana é consolidar apoios de partidos e candidatos que não estiveram com Flávio no primeiro turno, além de manter a bancada eleita em campanha. “Hoje passamos o dia conversando com esses parlamentares e mostrando a importância de que a campanha tem que continuar nas próximas três semanas”, afirmou.
Além de Tarcísio, nomes como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL-RN), devem viajar pelo Brasil de forma independente, ampliando o alcance dos palanques.
Flávio encerrou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. Nunca um candidato que venceu o primeiro turno foi derrotado no segundo na história do Brasil. O cenário de expectativa de poder, no entanto, gera preocupação entre aliados do petista, que relatam em conversas reservadas o temor de que prefeitos de partidos de centro que apoiaram Lula migrem para o lado adversário.
Nesta segunda, Lula defendeu focar nas abstenções. “Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu terceira via”, questionou o presidente.
O encontro com dezenas de aliados, eleitos e derrotados, ocorreu em um hotel próximo à Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Participaram os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Rafael Fonteles (PT-PI), os senadores eleitos Rui Costa (PT-BA) e Jaques Wagner (PT-BA), além dos candidatos derrotados Fernando Haddad (PT-SP), Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP).
