A articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com o cenário de um eventual segundo turno na eleição presidencial. Segundo conselheiros do petista, as discussões sobre a estratégia para essa fase da disputa começaram no círculo próximo ao mandatário.

A avaliação interna é de que a eleição não será decidida já no primeiro turno. Para os interlocutores do presidente, o pleito deve se estender à etapa final, o que exige do comando da campanha um planejamento específico para esse momento.

Na leitura dos aliados, o principal desafio não estará restrito ao confronto direto entre os dois candidatos que permaneceram na disputa. A percepção é de que, no segundo turno, Lula precisará apresentar aos eleitores algo além da comparação entre os dois postulantes ao Planalto.

O diagnóstico reflete o entendimento de que a etapa final exigirá uma comunicação voltada não apenas ao contraste com o adversário, mas à apresentação de compromissos próprios.

Foco na política fiscal

Entre os pontos considerados centrais para essa fase aparece a política fiscal. O tema é apontado como essencial para a construção do discurso do petista na reta final da campanha.

“Lula vai ter de mostrar que, no seu quarto mandato, terá mais rigor fiscal”, afirmou um interlocutor do presidente, ao detalhar as conversas em andamento.

Segundo a avaliação dos conselheiros, o petista tem condições de apresentar argumentos que expliquem as dificuldades enfrentadas nas contas públicas durante o terceiro mandato. Parte dessa explicação, na visão dos aliados, pode se apoiar na situação fiscal herdada do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para um eventual quarto mandato, no entanto, o cálculo é outro. Aliados do presidente avaliam que Lula terá de sinalizar medidas voltadas a conter o crescimento da dívida pública.

As conversas seguem em curso no entorno do petista, que busca ajustar o posicionamento econômico para a fase decisiva da disputa presidencial.