Uma obra inédita do escritor brasileiro Augusto Boal dedicada à figura de Simón Bolívar dá origem a uma montagem teatral na Venezuela, inserida no campo do chamado teatro comunal. A encenação tem direção de Luciano Carvalho, integrante do setor de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Diálogo entre Brasil e Venezuela
O projeto une dois nomes centrais da história latino-americana. De um lado, Bolívar, o líder venezuelano conhecido como o Libertador, referência dos processos de independência da América hispânica. De outro, Boal, dramaturgo, diretor e ensaísta que se tornou uma das vozes mais influentes do teatro político no mundo.
A expressão “Bolívar segundo Boal” resume a proposta: apresentar a trajetória do herói venezuelano pelo olhar do escritor brasileiro, em texto que permanecia inédito e que agora ganha cena em território venezuelano.
Teatro do Oprimido como referência
Boal é reconhecido internacionalmente como criador do Teatro do Oprimido, linguagem que rompe com a separação entre palco e plateia e propõe a participação do espectador na construção da cena. A metodologia, difundida em diversos países, sempre teve forte vínculo com movimentos sociais e com experiências culturais de base comunitária — terreno em que se insere a montagem dirigida por Carvalho.
O formato comunal remete a práticas artísticas construídas a partir das próprias comunidades, mais próximas do cotidiano das localidades do que do circuito tradicional dos teatros. É nesse ambiente que o texto de Boal passa a circular na Venezuela.
Cultura no MST
A escolha do diretor reforça o caráter popular do projeto. O MST mantém um setor dedicado à cultura, que estimula produções artísticas nos acampamentos e assentamentos e trata a atividade cultural como parte da formação de suas bases. Carvalho, que integra essa estrutura, assume a direção da peça e estabelece uma ponte entre o movimento social brasileiro e o campo cultural venezuelano.
A montagem também reacende o interesse pela produção menos conhecida de Boal, autor de peças, livros e ensaios que circularam pelo mundo, mas que ainda guarda textos inéditos ou pouco explorados — caso do material sobre Bolívar agora levado ao palco.
Intercâmbio entre movimentos
A experiência se insere no intercâmbio cultural entre movimentos populares da América Latina, no qual artistas e militantes circulam entre os países com montagens, oficinas e projetos conjuntos. Ao levar à cena venezuelana um texto de um brasileiro sobre um herói continental, a montagem costura memória histórica e criação coletiva.
Com direção de Luciano Carvalho e base em obra inédita de Augusto Boal, a peça se soma às iniciativas que aproximam o teatro brasileiro das experiências comunitárias venezuelanas.
