O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cometeu uma confusão em uma publicação nas redes sociais na noite deste domingo (4), ao comentar a rapidez da apuração dos votos no primeiro turno da eleição presidencial brasileira. O republicano citou a Índia em vez do Brasil e só corrigiu a informação depois, ao editar a postagem original.
Na rede social Truth, Trump havia escrito: “125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial da Índia. Os resultados saíram pouco depois do encerramento da votação, NO MESMO DIA”. O texto não mencionava nenhum candidato.
O problema é que a Índia não realizou eleições no domingo. Além disso, o número citado pelo presidente americano não correspondia à realidade eleitoral do país asiático: nas eleições gerais de 2024, mais de 600 milhões de indianos foram às urnas. Outro equívoco é que a Índia não adota eleição direta para presidente, cargo que é chefe de Estado, mas não de governo.
Após a falha, Trump editou a publicação para referir-se à “eleição presidencial do Brasil”.
Crítica ao sistema americano
O presidente dos EUA usou a comparação para atacar novamente o sistema eleitoral de seu próprio país, onde a contagem dos votos pode se estender por dias em alguns estados.
“Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e em várias outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem fraudados — quero dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é CORRUPTA!!!”, escreveu Trump.
O republicano costuma levantar, sem apresentar provas, suspeitas de fraude nas eleições americanas. O tema voltou ao centro de seus discursos com a proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, as “midterms”, nas quais o Partido Republicano corre risco de perder a maioria no Congresso.
O governo Trump tem buscado impor restrições ao voto para reduzir as chances dos democratas e pressionado estados governados por aliados a redesenharem distritos eleitorais em favor dos republicanos.
Postura cautelosa sobre o pleito brasileiro
Nas últimas semanas, Trump afirmou duas vezes que acompanhava a eleição brasileira “muito de perto”, mas não citou nenhum dos candidatos nem manifestou apoio a qualquer um deles.
A votação acontece em um contexto de relações bilaterais fragilizadas entre os dois países, após ações do governo americano que o Planalto interpretou como tentativas de interferência no processo eleitoral brasileiro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também comentou o pleito e avaliou que a disputa será decidida no segundo turno. “Acho que todos esperavam por isso. Vamos ver como isso vai se desenrolar”, disse Rubio antes de embarcar para a Islândia na manhã desta segunda-feira (5).
A reação mais comedida de Washington contrasta com a postura adotada na eleição presidencial brasileira de 2022. Naquela ocasião, o então secretário de Estado Antony Blinken parabenizou brasileiros e instituições do país logo na noite do primeiro turno, classificando o pleito como “bem-sucedido”. No dia seguinte, a Casa Branca afirmou que a votação havia ocorrido de forma “livre, justa, transparente e crível”.
