Tensão no TSE deve ser resolvida no plenário

A nova crise instalada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá ser resolvida no fórum adequado: o plenário da Corte. A expectativa é que ainda nesta semana o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, leve ao plenário o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para derrubar o canal ‘Exército do Lula’ no WhatsApp. O episódio opõe as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro e provocou insatisfação entre ministros da própria corte.

O canal, organizado pelo deputado André Janones (Rede-MG), reúne atualmente mais de 3,7 milhões de integrantes.

Insatisfação dentro da própria corte

A decisão de Nunes Marques de mandar retirar do ar o canal gerou questionamentos entre os próprios ministros do TSE. Segundo alguns integrantes da corte, o presidente não poderia ter decidido a questão em um processo administrativo, já que o caso tem caráter judicial e estava nas mãos do corregedor-eleitoral, ministro Villas Bôas Cuevas.

Foi justamente o corregedor quem derrubou a determinação do presidente do tribunal — um movimento considerado pouco comum dentro da própria instituição.

Como o impasse se formou

A campanha do candidato do PL acusou o canal de disseminar notícias falsas contra Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o corregedor Villas Bôas Cuevas concedeu prazo para que a campanha de Lula se explicasse e determinou que a área técnica do tribunal analisasse o conteúdo das mensagens trocadas no grupo.

A área jurídica da campanha do PL, então, acionou o presidente do TSE por meio de um processo administrativo. Nunes Marques proferiu decisão favorável ao candidato. Como adotou um caminho avaliado como equivocado, passou a ser criticado por colegas. A reação veio do próprio corregedor, que anulou a decisão do presidente.

Reunião com as duas campanhas

Diante do impasse, Nunes Marques agendou para esta terça-feira (13) uma reunião com as duas campanhas para tratar da disseminação de notícias falsas na reta final da disputa.

O fato é que, nestas últimas semanas da eleição, aumentou a circulação de conteúdo falso — não propriamente por ação dos comandos das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro, mas por parte de seus aliados.

Com o envio do caso ao plenário, o destino do canal será decidido pelo conjunto dos ministros do TSE.