Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda, afirmou nesta quarta-feira (14) que a campanha de reeleição do presidente Lula já percorreu mais da metade do caminho para virar a disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A fala ocorreu em ato na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, berço político e sindical do petista, na região metropolitana de São Paulo.
Derrotado na disputa pelo Governo de São Paulo no primeiro turno, Haddad pediu que a militância concentre esforços nos eleitores indecisos e nos que ainda não estão seguros do voto. O ato reuniu o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, além de representantes sindicais, estudantis e de partidos.
Argumento da virada
No palco, o ex-ministro reconheceu o abatimento dos apoiadores após o resultado do primeiro turno, mas procurou apresentar um cenário otimista. Segundo ele, os candidatos eliminados somaram cerca de 8% dos votos, em sua maioria de perfil de direita — o que alimentou o temor de que esse eleitorado migraria para Flávio e ampliaria a vantagem do senador.
“Se Lula está 2 [pontos] atrás no primeiro turno, para onde vão esses 8% dos votos? Podem ir pro Flávio”, disse Haddad, para quem a diferença, nesse cenário, poderia chegar a 10 pontos.
Para o petista, as pesquisas recentes mostram que esse movimento não se confirmou. “Da semana passada para cá a diferença, que não foi nem de 10, nem de 8, nem de 5, foi de 4, caiu para 2. São 21 dias entre o primeiro e o segundo turno. Nós em 10 já andamos bem mais do que a metade do caminho”, afirmou.
Críticas ao adversário
Haddad também atacou o adversário do presidente e disse que a eleição vai além da trajetória de um candidato. “O que está em jogo aqui não é biografia de um homem, não. É biografia do país, do nosso país”, declarou.
O ex-ministro criticou ainda a posição de Flávio sobre o fim da escala 6×1. Segundo Haddad, apesar de dizer que votará a favor da mudança, o senador é contrário à medida e poderia recuar caso seja eleito — postura classificada como “jogo de cena”.
Haddad assumiu a coordenação da campanha de Lula em São Paulo no segundo turno. O estado é considerado central na disputa: é o maior colégio eleitoral do país e, em 2022, foi onde Lula reduziu a vantagem de Jair Bolsonaro (PL) em relação a 2018. No primeiro turno, Flávio obteve 51,93% dos votos no estado, ante 38,20% do petista.
Mobilizações pelo país
O ato de São Bernardo integrou uma série de mobilizações em favor da reeleição. Nesta quarta, apoiantes também foram às ruas no Rio de Janeiro, em Goiânia, no Recife e em Belém, além de atividades de campanha em Fortaleza, com estudantes, professores, artistas, militantes e movimentos sociais.
No Rio, houve atos na Central do Brasil e na Candelária, no centro, e uma caminhada em Santa Cruz, na zona oeste. Na véspera, manifestação no largo da Batata, em São Paulo, reuniu Haddad e as candidatas derrotadas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). No domingo (11), apoiadores se reuniram na avenida Paulista, e outras cidades realizaram carreatas, bandeiraços e panfletagens.
Os discursos desta quarta expuseram a estratégia da campanha: converter a mobilização da militância em votos, com trabalho de base para convencer eleitores e identificar quem não compareceu às urnas no primeiro turno. Os oradores reconheceram o desânimo após o resultado, mas conclamaram os presentes a não baixar a cabeça e a demonstrar animação em apoio ao presidente.
